Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
A tecnologia por si só não gera valor; o valor surge quando a organização se reestrutura em torno dela. O mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
A Administração Pública não precisa apenas de novas soluções. Precisa de soluções que funcionem entre si. De sistemas que comuniquem. Caso contrário, o resultado é um desperdício de dinheiro público, duplicação de custos e uma experiência caótica para cidadãos e empresas.
Humanizar o atendimento não significa abdicar de processos. Significa construir sistemas que garantam consistência, mas que deixem também espaço para que as pessoas decidam.
Segundo a AIE e relatórios de consultores internacionais credenciados, a China ultrapassará os EUA até ao ano de 2030 em número de reactores instalados e capacidade produtiva, tornando-se o país número 1 do Mundo no sector.
Não quero uma saúde em que os homens tenham menos espaço. Quero uma saúde em que o talento tenha mais espaço. Uma saúde liderada por homens e mulheres capazes de juntar competência e coragem, inteligência e humanidade, decisão e sentido de propósito.
A ambição de avançar na redução de emissões continua a ser inquestionável, mas a realidade demonstra que este objetivo dificilmente poderá ser alcançado através de uma única solução tecnológica.
ESG pode tornar-se mais um obstáculo para as Áfricas acederem ao financiamento? Sim, se for aplicado como uma nova condicionalidade externa, desenhada fora do continente, com métricas caras, complexas e pouco sensíveis às realidades das 'Áfricas'.
Nenhum sistema económico consegue eliminar erros, excessos ou crises. A questão é: quanto tempo leva para reconhecê-los e qual a sua capacidade de mudar quando percebem que determinado modelo chegou ao limite.
Ensinar para duvidar num mundo com IA parece exigir, talvez paradoxalmente, mais presença, mais debate direto entre alunos e professores, mais confronto de ideias ao vivo, mais tempo dedicado ao processo de aprendizagem.
Sustentabilidade não significa gastar menos: significa gastar melhor. Investir em inovação que previne doença, reduz internamentos, melhora a qualidade de vida e aumenta a produtividade dos portugueses é um exemplo de boa utilização dos recursos públicos.
O Regulamento dos Serviços Digitais já valeu uma multa de cento e vinte milhões à rede X, que a plataforma contesta em tribunal, e há um esforço europeu de literacia e de vigilância do espaço informativo. Vale a pena defendê-lo, mesmo imperfeito.
A IA como amplificador das capacidades dos programadores é uma evidência. O risco de acreditar que aprendizes de feiticeiro se tornam excelentes programadores sem nenhuma bagagem técnica também é real.
Portugal precisa de integrar a bioeconomia territorial na sua Estratégia Industrial Verde. Não como um capítulo ambiental, mas como uma frente de investimento, produtividade, substituição de importações e criação de valor acrescentado.
Pensar a longo prazo não significa decidir devagar. Significa decidir com profundidade, aceitar que nem tudo o que produz retorno imediato gera valor duradouro e compreender que a velocidade só constitui uma vantagem quando existe rumo.
As parcerias com o Reino Unido requerem cautela e atenção de quem as celebra. Londres nunca abdica de correr no seu próprio carril independente dos objetivos comuns celebrados.
O custo de agir agora é conhecido e orçamentável. O custo de não agir só se torna visível depois do evento, e nessa altura já não há orçamento que o compense integralmente.
Se a REN for um caso isolado, teremos de perguntar se o Governo está seguro de que uma participação de 13,4% lhe dá efectivamente a possibilidade de intervir na política de investimentos e formação de preços da energia.
Os grandes desafios ambientais raramente se resolvem apenas com mais regulamentação. Resolvem-se através de modelos colaborativos, onde cada interveniente conhece o seu papel e percebe que faz parte de uma solução maior.
O maior perigo para os Estados Unidos não é que a China simplesmente os substitua. É que aliados, parceiros e adversários concluam simultaneamente que depender de Washington passou a ser um risco.