Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
A tecnologia por si só não gera valor; o valor surge quando a organização se reestrutura em torno dela. O mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
A Administração Pública não precisa apenas de novas soluções. Precisa de soluções que funcionem entre si. De sistemas que comuniquem. Caso contrário, o resultado é um desperdício de dinheiro público, duplicação de custos e uma experiência caótica para cidadãos e empresas.
Em Lisboa necessitamos de um governo local focado na resolução estrutural dos problemas urbanos e menos preocupado em comunicar lógicas populistas que não resolvem e que, com o tempo, os agravam.
Ao sair do cinema depois de revisitar no ecrã a obra de que todos falam ultimamente, dei por mim a pensar: como é que uma história com quase três mil anos continua a prender-nos e a dominar as conversas do dia a dia?
A transição energética não depende apenas de produzir mais energia renovável. Depende também da capacidade de a armazenar, gerir e disponibilizar no momento certo.
O verdadeiro sucesso da digitalização não será determinado pela sofisticação da tecnologia utilizada, mas pela capacidade de tornar os serviços públicos mais simples, mais fiáveis e mais humanos.
Como transformar as Câmaras Municipais, que são organizações grandes, pesadas e públicas, em agentes da mudança, em forças dinâmicas e orientadas para a solução?
Um melhor entendimento da praia e das outras espécies do que aquele que vemos nestas proibições de animais, representadas por cães em pictogramas, seria bem o sinal de um estado mais rico das nossas discussões sobre a convivência.
Há uma realidade desconfortável que o setor financeiro português continua a evitar enfrentar: a sociedade mudou mais depressa do que os produtos que lhe são vendidos.
O caminho já existe: é preciso manter o impulso, ampliar o crédito para fibras recicladas europeias, usar a contratação pública como alavanca de mercado e canalizar parte da receita da nova taxa para modernizar a reciclagem têxtil das PME.
A Europa está decadente e descristianizada. Um dos sinais dessa decadência é a má-fé com que se usa uma caricatura do Evangelho para intimidar cristãos no debate migratório.
Israel pode e deve ser criticado. Netanyahu pode e deve responder politicamente pelas suas decisões. Os palestinianos têm o direito de não ser confundidos com o Hamas. Mas os israelitas têm exatamente o mesmo direito de não serem confundidos com Netanyahu, onde quer que vivam.
Reconverter agora a indústria civil que melhor simbolizou a prosperidade pacífica do continente em indústria de armamento não é apenas uma aposta económica frágil. É uma contradição com a matriz identitária do próprio projeto europeu.
Num ambiente empresarial cada vez mais competitivo, compliance e governance não devem ser vistos como travões, mas como infraestruturas de crescimento.
Ernst Beyeler, Helga de Alvear e Yvon Lambert partilham uma visão de longo prazo: colecionar não apenas obras importantes, mas testemunhos fundamentais da criação artística do seu tempo, colocando-os ao serviço dos públicos.
Mais de 50 anos depois do fim do Estado Novo, o teste é sempre o mesmo: perante uma posição de mercado adquirida, o Estado protege-a ou obriga-a a provar-se na concorrência?
Cansei-me de ler sobre inteligência artificial sem saber se ela existe. Decidi perguntar diretamente. O que se segue é uma conversa real com o Claude Fable, o modelo da Anthropic, com quem escrevo há meses.
Na mais icónica rua da Indonésia, pujante de comércio, galerias e equipamentos culturais, a cultura popular javanesa fervilha e envolve quem passa. A vibração cultural e espiritual fazem deste um lugar único para o viajante.
Portugal é uma das grandes portas atlânticas de dados. Os cabos amarram na nossa costa e a Microsoft ergue em Sines um centro de dados de 8,6 mil milhões de euros. Alojar a infra-estrutura dos outros dá renda e emprego, mas não dá soberania.