Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
A tecnologia por si só não gera valor; o valor surge quando a organização se reestrutura em torno dela. O mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
A Administração Pública não precisa apenas de novas soluções. Precisa de soluções que funcionem entre si. De sistemas que comuniquem. Caso contrário, o resultado é um desperdício de dinheiro público, duplicação de custos e uma experiência caótica para cidadãos e empresas.
Não me parece que o cenário de eleições antecipadas tenha qualquer espécie de viabilidade, e a prioridade deve ser dada à estabilidade política por pelo menos mais um ano.
O problema não está na tecnologia em si, mas em quem a utiliza e em que condições. Grande parte deste tratamento de informação ocorre fora do alcance de qualquer regulação eficaz.
Durante décadas, a Europa acreditou que poderia transferir a produção, conservar o consumo e preservar o poder de definir as regras. Descobriu agora que regular o que outros fabricam não equivale a possuir capacidade industrial.
Enquanto os EUA reforçam a sua política industrial, a China procura nos mercados internacionais espaço para a sua enorme capacidade produtiva, a Índia protege o seu mercado e o Japão e a Coreia continuam a apostar na inovação. Mas qual é a estratégia da Europa?
Continue-se a reformar o Estado. Não é só digitalizá-lo, é eliminar passos, processos. Mais: está muito previsto, planeado, faça-se acontecer, concretize-se. Para sairmos do reino do papel e do powerpoint para o da obra.
A confiança é o ativo fundamental de um sistema de repartição, e a confiança não se protege escondendo as contas nem adiando as decisões: protege-se com transparência e auditabilidade, prevenindo com tempo e mostrando exatamente o que se está a fazer e porquê.
A segurança social não pode ser encarada como um simples mecanismo de redistribuição, mas como uma parte fundamental da infraestrutura institucional que permite o funcionamento, a adaptação e a reprodução do sistema económico.
A crise da Volkswagen deve servir de aviso. Se a Europa não conseguir garantir energia competitiva, inovação tecnológica e capacidade industrial, continuará a perder terreno face aos EUA e à China. E quando perde indústria, perde também autonomia, emprego, conhecimento e influência.
A pressão colocada sobre um grupo de especialistas que, de forma isenta, pretendem ajudar a esclarecer os portugueses, continua a ser inaceitável num país que se quer transparente.
As pensões não são uma variável de ajustamento. São uma promessa do Estado a quem descontou durante décadas. E mexer nelas não é uma nota de rodapé num programa eleitoral. É uma escolha política de primeira ordem.
O Congressional Budget Office tem vindo a avisar repetidamente: a trajetória da dívida é insustentável. Se nada for feito ultrapassará os 60 biliões em menos de 10 anos.
Sem mais empresas com escala, a produtividade e o crescimento nacional vão continuar medíocres – mas isso pode ser invertido pelos stakeholders com pragmatismo, determinação e confiança mútua.
Num mundo de superpotências, os países médios e pequenos são presas isoladas, e a coligação é o mecanismo pelo qual os não-gigantes deixam de negociar sozinhos com gigantes.
A consciência já não basta e a indústria europeia precisa de medidas concretas. Estamos perante o futuro de milhares de empresas, de centenas de milhares de trabalhadores e da credibilidade do próprio projeto europeu.
Segundo a AIE e relatórios de consultores internacionais credenciados, a China ultrapassará os EUA até ao ano de 2030 em número de reactores instalados e capacidade produtiva, tornando-se o país número 1 do Mundo no sector.
Não quero uma saúde em que os homens tenham menos espaço. Quero uma saúde em que o talento tenha mais espaço. Uma saúde liderada por homens e mulheres capazes de juntar competência e coragem, inteligência e humanidade, decisão e sentido de propósito.
ESG pode tornar-se mais um obstáculo para as Áfricas acederem ao financiamento? Sim, se for aplicado como uma nova condicionalidade externa, desenhada fora do continente, com métricas caras, complexas e pouco sensíveis às realidades das 'Áfricas'.