Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
A tecnologia por si só não gera valor; o valor surge quando a organização se reestrutura em torno dela. O mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
A Administração Pública não precisa apenas de novas soluções. Precisa de soluções que funcionem entre si. De sistemas que comuniquem. Caso contrário, o resultado é um desperdício de dinheiro público, duplicação de custos e uma experiência caótica para cidadãos e empresas.
Nenhum sistema económico consegue eliminar erros, excessos ou crises. A questão é: quanto tempo leva para reconhecê-los e qual a sua capacidade de mudar quando percebem que determinado modelo chegou ao limite.
Ensinar para duvidar num mundo com IA parece exigir, talvez paradoxalmente, mais presença, mais debate direto entre alunos e professores, mais confronto de ideias ao vivo, mais tempo dedicado ao processo de aprendizagem.
Sustentabilidade não significa gastar menos: significa gastar melhor. Investir em inovação que previne doença, reduz internamentos, melhora a qualidade de vida e aumenta a produtividade dos portugueses é um exemplo de boa utilização dos recursos públicos.
O Regulamento dos Serviços Digitais já valeu uma multa de cento e vinte milhões à rede X, que a plataforma contesta em tribunal, e há um esforço europeu de literacia e de vigilância do espaço informativo. Vale a pena defendê-lo, mesmo imperfeito.
A IA como amplificador das capacidades dos programadores é uma evidência. O risco de acreditar que aprendizes de feiticeiro se tornam excelentes programadores sem nenhuma bagagem técnica também é real.
Portugal precisa de integrar a bioeconomia territorial na sua Estratégia Industrial Verde. Não como um capítulo ambiental, mas como uma frente de investimento, produtividade, substituição de importações e criação de valor acrescentado.
Pensar a longo prazo não significa decidir devagar. Significa decidir com profundidade, aceitar que nem tudo o que produz retorno imediato gera valor duradouro e compreender que a velocidade só constitui uma vantagem quando existe rumo.
As parcerias com o Reino Unido requerem cautela e atenção de quem as celebra. Londres nunca abdica de correr no seu próprio carril independente dos objetivos comuns celebrados.
O custo de agir agora é conhecido e orçamentável. O custo de não agir só se torna visível depois do evento, e nessa altura já não há orçamento que o compense integralmente.
Se a REN for um caso isolado, teremos de perguntar se o Governo está seguro de que uma participação de 13,4% lhe dá efectivamente a possibilidade de intervir na política de investimentos e formação de preços da energia.
O maior perigo para os Estados Unidos não é que a China simplesmente os substitua. É que aliados, parceiros e adversários concluam simultaneamente que depender de Washington passou a ser um risco.
Em Lisboa necessitamos de um governo local focado na resolução estrutural dos problemas urbanos e menos preocupado em comunicar lógicas populistas que não resolvem e que, com o tempo, os agravam.
Ao sair do cinema depois de revisitar no ecrã a obra de que todos falam ultimamente, dei por mim a pensar: como é que uma história com quase três mil anos continua a prender-nos e a dominar as conversas do dia a dia?
O verdadeiro sucesso da digitalização não será determinado pela sofisticação da tecnologia utilizada, mas pela capacidade de tornar os serviços públicos mais simples, mais fiáveis e mais humanos.
Como transformar as Câmaras Municipais, que são organizações grandes, pesadas e públicas, em agentes da mudança, em forças dinâmicas e orientadas para a solução?
Um melhor entendimento da praia e das outras espécies do que aquele que vemos nestas proibições de animais, representadas por cães em pictogramas, seria bem o sinal de um estado mais rico das nossas discussões sobre a convivência.
Há uma realidade desconfortável que o setor financeiro português continua a evitar enfrentar: a sociedade mudou mais depressa do que os produtos que lhe são vendidos.
O caminho já existe: é preciso manter o impulso, ampliar o crédito para fibras recicladas europeias, usar a contratação pública como alavanca de mercado e canalizar parte da receita da nova taxa para modernizar a reciclagem têxtil das PME.