Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
A tecnologia por si só não gera valor; o valor surge quando a organização se reestrutura em torno dela. O mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
A Administração Pública não precisa apenas de novas soluções. Precisa de soluções que funcionem entre si. De sistemas que comuniquem. Caso contrário, o resultado é um desperdício de dinheiro público, duplicação de custos e uma experiência caótica para cidadãos e empresas.
A hipoteca perdeu o estatuto de rainha das garantias. Hoje dominam as garantias 'on first demand', não por acaso. Entre a promessa de um direito e a certeza de um pagamento, o mercado já fez a sua escolha.
A reabilitação urbana bem feita melhora a coesão social, cria emprego local e preserva a identidade das cidades. Acaba também por ser uma resposta prática à escassez de oferta, sobretudo para a classe média, e para arrendamento qualificado.
A transição energética é fundamental para o desenvolvimento económico, mas também para responder às alterações climáticas. Numa série de 10 artigos de opinião, membros da Federação de Advogados de Língua Portuguesa avaliam as diferentes geografias da lusofonia. Este é o oitavo, sobre Moçambique.
Esta súbita necessidade de afirmação política de Luís Montenegro denuncia uma penosa fragilidade: tanto lhe disseram que não é um reformista – as palavras de Cavaco Silva devem ter doído muito – que o primeiro-ministro tratou de encontrar forma de corrigir essa perceção com uma só bala e de uma só vez.
Não adianta clamar pela resposta das seguradoras quando não temos seguro. O despertar tem de ser para a necessidade de prevenção, por exemplo na construção, e na proteção, por causa dos azares.
O Parlamento manifesta-se crítico da proposta da Comissão Europeia e entende que o nível de financiamento não corresponde às presentes ambições políticas e deve estar protegido contra choques inflacionistas.
A resolução da crise geoeconómica e geopolítica atual exige novas referências e novos protagonistas. O mundo lusófono e o mundo hispânico, pelo papel que desempenharam e continuam a desempenhar na construção do mundo global, são ativos que importa valorizar.
A subida das taxas de juro não conseguirá debelar a causa da inflação, mas sinaliza uma atitude não acomodatícia por parte dos bancos centrais no que toca às expectativas de inflação geradas nos agentes económicos.
É necessário explicar o custo associado de não ter seguro e o aumento da probabilidade associado a eventos extremos climáticos que vão afetar-nos a todos. E é urgente também alterar a cultura de não pagar por um serviço que vai revelar-se essencial.
O futuro não se constrói com insultos e gritaria. Constrói-se com recato, reflexão, estudo e decisões ponderadas. Receio que a Europa não tenha aprendido nada com estes acontecimentos recentes.
A proposta iraniana não é um gesto diplomático. É a confissão de que o estrangulamento está a funcionar. Quem propõe abrir o estreito para que o bloqueio seja levantado está a dizer, sem o dizer, que já não aguenta mais.
A IA é hoje inescapável e tem de haver agilidade por parte das organizações em Portugal. Ao escrever este artigo, esta ideia sobressaiu: a reforma laboral em Portugal não se vai fazer por negociação, mas por choque tecnológico.
As maiores realizações do Governo têm sido nos domínios da legislação sobre emigração e nacionalidade, onde, paradoxalmente, se avançou para resolver um problema que na realidade não existia a não ser nas proclamações mais histriónicas do Chega.
Uma ponderação e revisão equilibrada do regime deve afirmar claramente que a conciliação entre interesses pessoais e profissionais é um objetivo essencial, mas não pode ser prosseguida à custa da descaracterização da atividade empresarial nem da inviabilização prática de certos modelos organizativos.
O recente ataque contra Donald Trump não deve ser lido apenas como um episódio isolado, mas como um sintoma de um sistema sob tensão. Para a sua base de apoio, este tipo de evento tende a reforçar a narrativa de perseguição e de resistência. O líder transforma-se em vítima e, paradoxalmente, em figura ainda mais mobilizadora.
Os apoios, particularmente se generalizados, contribuem para fortalecer a procura. E fortalecer a procura tende a fazer subir os preços, o que agrava, em vez de resolver, o problema original.
A hegemonia, no atual contexto, deixa de ser um instrumento de estabilidade e passa a ser um vetor de risco. E aqui reside o ponto central: se o mundo está a pagar a conta, não deveria também ter o direito de cobrar?
O apagão de abril de 2025 foi, neste sentido, um momento de clareza. Pagar com cartão ou por outras formas de pagamento digital estiveram entre as principais dificuldades deste dia. A solução foi pagar com dinheiro.
Industrializar a construção não é apenas produzir módulos em fábrica. É repensar o processo construtivo com mais planeamento, mais engenharia, maior integração entre especialidades, melhor controlo de qualidade e maior previsibilidade de prazo e de custo.