Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
A tecnologia por si só não gera valor; o valor surge quando a organização se reestrutura em torno dela. O mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
A Administração Pública não precisa apenas de novas soluções. Precisa de soluções que funcionem entre si. De sistemas que comuniquem. Caso contrário, o resultado é um desperdício de dinheiro público, duplicação de custos e uma experiência caótica para cidadãos e empresas.
Uma economia sustentável depende da inovação, da produtividade e da competitividade. Mas depende também da capacidade de preservar a saúde física e psicológica daqueles que produzem essa riqueza.
Quando um modelo consegue produzir código funcional, bem estruturado e com qualidade profissional mais depressa do que um estudante consegue ler o enunciado, tudo muda.
O crescimento do património do Donald é expressivo e chocante: em 2024 Trump declarara mais de 600 milhões de dólares em rendimento total; um ano depois, ultrapassou os 2 mil milhões. Políticos assim não os há nas democracias ocidentais.
É cada vez mais evidente o problema recorrente da assimetria na formação dos preços. Os combustíveis sobem quase de imediato quando há tensão internacional, mas descem lentamente quando essa pressão diminui.
O último caso diz respeito à exclusão de mais-valias em sede de IRS para quem reinveste o produto da venda de um imóvel para recuperar uma ruína, com a intenção de se tornar habitação própria e permanente. É a interpretação da Autoridade Tributária.
Ao celebrar os 250 anos da sua Independência, os Estados Unidos oferecem uma oportunidade para recordar que a sua influência no mundo foi muito mais profunda do que os acontecimentos recentes parecem sugerir.
Há um momento em que continuamos capazes de fazer mais uma corrida, mais uma apresentação, mais uma decisão... Mas a pergunta a colocar é: "Será que o meu maior contributo já não é fazê-lo eu, mas permitir que outros o façam melhor?"
Andy Burnham é D. Sebastião no nevoeiro londrino. Para o partido trabalhista, se não se sabe o que vai fazer, não interessa, pois é o único que pode impedir a vitória de Farage; para nós, também, mas…
Da Doutrina Monroe ao Corolário Roosevelt, e da Diplomacia do Dólar à prática contemporânea, os Estados Unidos alternaram entre força e capital para estruturar a sua primazia.
A IA é um instrumento. Sofisticado, certamente, mas continua a ser um simples instrumento. Quem decide continua a ser uma pessoa. E, aos olhos do Direito, quem decide continua a responder.
O que nos une é a ambição de mercados competitivos, ao serviço dos consumidores e da transição energética. O que nos separa são opções políticas e regulatórias que continuam a tratar Portugal e Espanha como universos estanques.
O sistema financeiro mundial lucrou com as Áfricas porque cobrou caro pela sua vulnerabilidade. Agora, as Áfricas começam a levantar-se ao descobrir que a sua maior força pode estar no dinheiro que já possui, mas que ainda não aprendeu a organizar colectivamente.
Muitas vezes, como aconselhados por George Washington, no seu discurso de despedida, os EUA concentraram-se em si próprios, afirmando uma visão excepcionalista do seu papel e ignorando os problemas do resto do mundo.
A IA não é o fim da consultoria tecnológica. Mas pode ser o fim de uma certa consultoria tecnológica: a que vende esforço em vez de inteligência, ocupação em vez de impacto, perfis em vez de resultados, horas em vez de transformação.
Trump percebeu que a política americana já não se organiza apenas em torno de programas. Organiza-se em torno de identidade. Para milhões de eleitores, ele não é apenas um Presidente. É uma resposta emocional a uma pergunta antiga: quem roubou a América que eu conhecia?