Em caso de vitória do Presidente João Lourenço no Congresso de Dezembro, a questão da bicefalia é adiada até às eleições de 2027, se, eventualmente, o MPLA conseguir obter uma vitória eleitoral, com uma maioria absoluta.
Pedro Nuno Santos decretou que nos próximos quatro meses não se falaria do processo judicial de tráfico de influências que abalou o nosso sistema político. A realidade ditará o contrário.
Apesar de termos um governo de maioria absoluta, o que os Portugueses sentem é a ausência de medidas, um degradar acentuado das instituições e um governo que se vai desfazendo.
O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa pode, se quiser, transformar-se no verdadeiro líder da oposição, condicionando, assim, o natural crescimento desta no parlamento ou fora dele.
Tudo seria mais fácil se sentíssemos que o PRR estava, de facto, a corrigir os impactos sociais e económicos negativos, mas essa correção tarda e não chega de forma suficiente.
O centro político tenderá nos próximos debates ideológicos e eleitorais a ficar mais desprotegido, não trazendo nada de bom para enfrentar os desafios que o país continuará a ter pela frente.
O Governo, se quiser deixar alguma “obra” duradoura, tem de ser o primeiro a dar o exemplo de diálogo construtivo assente em propostas moderadas. Sem excluir uma oposição também ela moderada.
Mais de cem anos depois da instituição do Dia Internacional da Mulher, e não obstante os progressos alcançados, continua a haver razões para lutar por uma sociedade mais igualitária.
A experiência açoriana, que acabou com 24 anos de poder ininterrupto do Partido Socialista, constitui a única resposta possível. O resto é tacticismo e retórica vã.
Toda a gente gosta de segurança. Mas parece-me preferível uma espécie de “caos calmo” político e combativo, mas construtivo e ambicioso, capaz de pegar em várias ideias, a um “pântano” ou “paz podre” unilateral.
Mais recato, menos comentários, a mesma solidariedade institucional. Os passos finais do segundo mandato têm de ser robustecidos de granito e não de plasticina, que é mole e viscosa.
O que todos temos de reclamar na forma como a democracia está a funcionar em Portuga, é uma reforma urgente do sistema político, mas também a ilação e responsabilidade política de quem gere os destinos de Portugal.
Numa palavra, direi que parece até agora faltar à governação socialista uma ideia dum verdadeiro espírito de “compromisso”, e de rigor no elenco governamental, que as circunstâncias atuais exigiriam.
Uma espécie de receita do 'Chef' que opta por escolhas erradas que minam a autoridade e prestígio do Executivo, numa lógica taticista que não cuida do futuro.
A articulação e negociação quase diária que implicava essa ligação ao PCP e BE aguçava o engenho e a coordenação política do Governo, algo que, visivelmente, colapsou.
Quando se esperava uma ação governativa de desafio, inovação e criatividade, nervos de aço e compreensão social para com todos, o país vive tempos cruéis de incerteza.