A Europa e o mundo vivem uma das piores recessões da nossa história coletiva, fruto de uma guerra a Leste que perdura, com impactos inimagináveis, que afetam todos de forma generalizada, as pessoas, as famílias e o tecido empresarial. Os efeitos nefastos fazem-se sentir a um ritmo vertiginoso na economia e riqueza nacional, afetando o poder de compra, os rendimentos e lançando o caos nos custos de produção nas empresas.
Depois de uma crise pandémica e da inflação que retira rendimento aos portugueses, momentaneamente o país mergulha numa sensível crise política governativa, que nada nos trará de bom nos próximos meses ou anos. Precisamos de estabilidade e é inacreditável que mesmo com um governo de maioria absoluta de um partido só, a instabilidade se agrave. Os riscos inerentes a este quadro são gigantes. Quando se esperava uma ação governativa de desafio, inovação e criatividade, nervos de aço e compreensão social para com todos, o país vive tempos cruéis de incerteza.
O debate público devia centrar-se nos temas estruturais e determinantes para todos e não na eventualidade de mais um ou menos um membro do Governo se demitir, quando mais de uma dezena, em nove meses, já lá não está. O Governo não pode desfazer-se aos pedaços. Urge ter uma liderança para o país que consiga alavancar e conter as crises e se centre, também, nos desafios à escala mundial, na consciencialização sobre a sustentabilidade do planeta e nas formas da organização do trabalho, fruto da pandemia que mudou todo o anterior paradigma.
Mas não, até o Presidente da República já vem a público falar da baixa execução dos fundos europeus do PRR, que pode fazer com que Portugal tenha de devolver largas centenas de milhões de euros. Se assim for, a incompetência estará demonstrada, mas precisamos de ter a esperança que tal não ocorra, pois será fatal para a nossa vivência coletiva.
Parece evidente que para aproveitarmos os fundos europeus, haverá uma necessidade maior de consciencialização, assente e focada nas pessoas, e que existem questões que interessam a todos e que só se conseguirão resolver com um efetivo reforço da cooperação internacional e das instituições multilaterais.
Os nossos empresários e empreendedores têm feito com esforço o seu papel, uma vez que são eles que lutam diariamente pela sustentabilidade das suas empresas, pela manutenção dos postos de trabalho e pela criação de riqueza nacional num Portugal que não se conforma, e que apesar destas crises não cede às dificuldades.
Competirá assim aos políticos ir mais além nos seus atos, e fazer muito mais do que tem feito e que lhe compete, para permitir a retoma económica e assegurar o emprego que nos garanta um futuro coletivo. O trabalho que todos temos pela frente é gigante, árduo e exige precaução e sabedoria nos passos públicos, para proteger o emprego e o rendimento dos portugueses, e evitar no futuro mais austeridade, na busca de uma economia de mercado competitiva, sustentável e socialmente inclusiva.
Mas sem demagogias, com grande sentido de responsabilidade, é tempo de governar, sem pôr em causa o futuro e as próximas gerações.