O crude do mar do Norte, de referência na Europa, fechou a sessão no Intercontinental Exchange a cotar 1,91 dólares abaixo dos 88,98 dólares com que encerrou as transações na quarta-feira.
Os dados relativos à inflação nos EUA, de acordo com os dados económicos de junho, são os indicadores mais esperados da semana para os investidores. A Galp avança esta segunda com informação operacional preliminar e vários bancos norte-americanos preparam a apresentação dos resultados do segundo trimestre do ano.
A descida dos preços do petróleo tem estado associada à decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) que anunciou, a 2 de junho, que poderá aumentar a sua produção de barris no quarto trimestre do ano. Todavia, isto só acontecerá se as condições de mercado o permitirem.
A Goldman Sachs destaca o cenário otimista para a evolução da procura de petróleo este ano e mostra-se surpreendida com o plano detalhado de reversão dos cortes de produção após uma surpresa do lado dos inventários.
O objetivo desta medida, explica a OPEP+, é "alcançar e manter um mercado petrolífero estável", bem como "fornecer orientação e transparência a longo prazo para o mercado".
O grupo aproxima-se de uma reunião-chave em junho, na qual terá de decidir se prolonga ou não os limites de produção ou, pelo contrário, se começa a reduzi-los pouco a pouco.
A produção de petróleo obedece a regras que os produtores conhecem e que os consumidores se limitam a ter de acompanhar. Mas a poderosa OPEP parece estar num momento de indefinição.
Angola saiu da OPEP para alinhar com os interesses dos Estados Unidos. Mas isso não quer dizer que os EUA sejam a única opção e o presidente foi à China explicar isso mesmo.
Os ataques ucranianos às refinarias russas têm-se multiplicado. As consequências começam a tornar-se óbvias: o preço do petróleo está a subir e talvez o regime de Moscovo passe a ter dificuldade em financiar a guerra.
São os dois maiores organismos mundiais de análise do mercado petrolífero. Mas as suas posições antagonistas perante a transição energética (uma representa os países desenvolvidos que apostam nas renováveis, a outra representa países em desenvolvimento que estão dependentes das receitas do petróleo) levam-nos a terem previsões muito díspares sobre a evolução do consumo do 'ouro negro' nas próximas décadas.
Apesar de uma reação modesta, e esperada, aos riscos geopolíticos, o preço do petróleo nos mercados internacionais deverá aproximar-se dos 90 dólares por barril até ao início do verão.
A OPEP anunciou no domingo que iria prolongar os cortes na produção de petróleo até ao fim de junho. Esta decisão já fez com que o Brent caísse 0,05% e o texano WTI 0,19%.
“Antes de tudo, quero deixar claro que não posso comentar uma decisão saudita, mas isso não deve de forma alguma ser mal interpretado e visto como uma diminuição na procura”, referiu Haitham Al Ghais, secretário-geral da OPEP, à ‘Reuters’ na cúpula de Governos mundiais.
A OPEP não está interessada em preços baixos e os Estados Unidos não estão interessados em preços altos. Para já, esta 'guerra' mundial está a ser ganha pelos EUA. O resto do mundo (não produtor) agradece.
A economia chinesa está a desacelerar e a demografia está a encolher. As necessidades de petróleo diminuem, mas a China está a comprar como se estivesse em expansão.
Luanda quer diversificar a economia, mas para tal será fundamental conseguir captar mais investimento direto estrangeiro, algo que não tem acontecido fora do sector energético.
Luanda justificou a decisão de abandonar a OPEP com as regras que já não beneficiavam o país, isto depois de uma discórdia com os sauditas quanto às quotas de produção. A decisão terá um efeito prático neutro, sinalizando uma aproximação aos EUA.
Mais um sinal de afastamento de Moscovo e aproximação a Washington depois dos cortes na quota de produção angolana na OPEP. Há menos de um mês, Luanda havia posto de lado esta hipótese.
"Não há custos relevantes em sair porque o poder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ser completamente determinante no preço já não é o mesmo que era dantes, portanto a saída tem apenas o prejuízo de não participar na decisão, mas é só isso", disse José Miguel Cerdeira, em declarações à Lusa na sequência do anúncio de saída, feito hoje pelo Governo.