“Angola vai continuar a beneficiar porque a OPEP quer preços altos”

Luanda justificou a decisão de abandonar a OPEP com as regras que já não beneficiavam o país, isto depois de uma discórdia com os sauditas quanto às quotas de produção. A decisão terá um efeito prático neutro, sinalizando uma aproximação aos EUA.

“Angola vai continuar a beneficiar porque a OPEP quer preços altos”
Flávio Inocêncio_2024

A saída angolana da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) não foi uma surpresa total e, em termos práticos, poucos efeitos terá no mercado e no país, projeta Flávio Inocêncio, professor universitário e consultor na área petrolífera. A decisão foi sobretudo política, sinalizando maior alinhamento com os EUA, mas está sempre sujeita a ser revertida caso tal beneficie Luanda, algo que agora não se verificava.

Como vê a importância atual da OPEP?
As pessoas não entendem bem o que é a OPEP. É caracterizada como um cartel, mas não o é, porque está escudada na soberania nacional. É um concerto de países escudados pelo direito internacional e em várias resoluções da ONU que conferem o direito dos países de disporem dos seus recursos naturais. Surge como um instrumento não diria de descolonização, porque é importante para os estados do Golfo e liderados pela Arábia Saudita, que são aliados ocidentais – embora, em certos momentos históricos, se tenham posicionado contra os interesses ocidentais.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor

Relacionado

Saída da OPEP “não tem custos relevantes” para Angola

Saída da OPEP “não tem custos relevantes” para Angola

"Não há custos relevantes em sair porque o poder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ser completamente determinante no preço já não é o mesmo que era dantes, portanto a saída tem apenas o prejuízo de não participar na decisão, mas é só isso", disse José Miguel Cerdeira, em declarações à Lusa na sequência do anúncio de saída, feito hoje pelo Governo.