As preocupações com a independência da Reserva Federal norte-americana (Fed) e o aumento dos prémios de risco sobre os ativos norte-americanos "podem acrescentar volatilidade, o que sustenta a procura de ouro" para investimento até 2026, defenderam os analistas do ANZ, citados pela publicação financeira Investing.
O receio de uma queda ainda mais acentuada nos preços está a acentuar a correção nos preços do ouro. Após registar o pior dia em mais de quatro décadas na sexta-feira, o metal precioso caiu mais 8%, recuando para cerca de 4.400 dólares a onça. Em dois dias, perdeu mais de 1.000 dólares a onça.
Na sexta-feira a prata caiu 30% naquele que foi o seu pior dia desde março de 1980, refere a CNBC, enquanto que o ouro (mercado spot) apresentou uma quebra de 9%, na maior queda num dia desde 1983, assinala a BBC.
As tarifas comerciais, a incerteza política e geopolítica, os juros ainda elevados e o aumento dos preços das casas reforçaram a cautela dos consumidores, resultando numa redução de compras de bens duradouros e imóveis.
O estratega da Jefferies, Chris Wood, tinha um portefólio modelo com uma alocação de 10% para a bitcoin. Atualmente a recomendação passa por 70% para ouro ou ações de empresas mineiras e 30% em ações asiáticas fora do Japão.
O ouro atingiu um novo máximo esta semana. Os futuros ultrapassaram a barreira dos cinco mil dólares. Já existem previsões que colocam este metal nos sete mil dólares. Macroeconomia e política monetária, são algumas das alavancas para a continuação do disparo desta matéria-prima que já subiu 80% nos últimos 12 meses.
Desde 2024 e até à data esta matéria já valorizou mais de 140%, e continua a subir. Para os analistas os principais motores a alimentar este rally são a “desvalorização da moeda (USD), a perda de confiança nas instituições e a persistente incerteza geopolítica (aumentando com a questão da Gronelândia, Venezuela e Irão)”.
O ouro comercial voltou esta quarta-feira a bater o recorde de preço por onça (28,34 gramas), para 4.887,19 dólares (perto de 4.200 euros), pelas 06:31, com os investidores a preferirem este metal precioso perante o cenário de instabilidade global.
Desde o início de 2026, o ouro já ganhou mais 7%, enquanto a prata disparou mais de 26% à boleia das tensões geopolíticas, inflação elevada e preocupações dos investidores com a independência dos bancos centrais.
A earning season arrancou com o banco JPMorgan, que viu as suas receitas subir para 185.581 milhões de dólares (159.122 milhões de euros), contudo os lucros desceram 2% para 57.048 milhões de dólares (48.902 milhões de euros).
A detenção do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, por parte das forças norte-americanas pode levantar várias questões do ponto de vista do direito internacional, mas nos mercados já se antecipam cenários sobre o que podem os investidores ganhar com a mudança.
A IA, o ouro e a prata levaram algumas ações a renovar máximos históricos, como a mineradora mexicana Fresnillo, que disparou mais de 400% este ano. Entre as cotadas com pior desempenho nos mercados globais estão empresas do setor do retalho e private-equity.
Os Estados Unidos lideram de longe, com mais de oito mil toneladas de ouro, equivalentes a um valor de mais de um trilião de dólares. Esse ouro está protegido em locais estratégicos como Fort Knox, West Point e nos cofres do Reserva Federal em Nova Iorque.