Pedro Lino, Economista

Irrelevância estratégica

A Europa prefere não acreditar nas ambições do Presidente Trump. E continua a tentar mudá-lo ao invés de mudar-se a si própria.

A liberdade de um acaba quando a do outro começa. Os limites são necessários e definidores de até onde se pode ir. Quando não existem ou não estão bem definidos, a lei do mais forte acaba por imperar.

É o que tem acontecido no palco internacional. A ONU transformou-se num órgão passivo, sem capacidade de ação, e a União Europeia, um órgão burocrático que, não conseguindo falar a uma só voz, acaba por perder a sua relevância internacional.

A intenção de compra da Gronelândia pelos EUA é mais um sinal de que os europeus andam perdidos.

Após saberem das intenções de Donald Trump em 2025, não foi implementado nenhum plano de investimento que permitisse o aumento da presença europeia na Gronelândia. A Europa prefere não acreditar nas ambições do Presidente Trump. E continua a tentar mudá-lo ao invés de mudar-se a si própria.

A incursão sobre a Gronelândia foi travada porque o impacto nos mercados foi negativo. O anúncio da imposição de tarifas adicionais de 10% a partir de fevereiro, e de 25% a partir de junho, trouxe consigo um efeito negativo no dólar e nas bolsas, tendo as taxas de juro de longo prazo voltado a subir, potenciando o congelamento do mercado imobiliário nos EUA.

O ouro e a prata continuam a bater máximos, com os investidores a questionar-se se estão seguros nas moedas até agora consideradas fortes. A subida destes metais preciosos é um sinal da perda de credibilidade dos políticos europeus e americanos.

A fuga para os ativos financeiros é, assim, uma salvaguarda de preservação de valor, num mundo que vai gastar muito mais em defesa e em programas de estímulos com recurso ao endividamento. Investir deveria ser um desígnio nacional, pois é a única forma de não empobrecermos face à incerteza que teremos de enfrentar nos próximos anos.

A Europa está a ser pressionada pelos EUA e China, para não falar da Rússia, e não deixa de ser estranho que ninguém repare que estamos a “oferecer” as empresas europeias a estrangeiros.

Ora, o défice comercial com a China continua a disparar, com os europeus a comprarem mais do que importam. Quer isto dizer que estamos a enviar euros para a China. E esses euros, por sua vez, voltam a ser investidos na compra de empresas europeias.

Não deixa de ser irónico estarmos a dar o melhor da Europa a estrangeiros à custa do consumo, ao invés de se fomentar o investimento interno por investidores europeus, A este ritmo, a Europa apenas terá museus. E mesmo esses têm o tempo contado, a ver pelos museus que serão construídos no Médio Oriente na próxima década.

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