Chips, metais preciosos e armas são os grandes vencedores dos mercados financeiros

A IA, o ouro e a prata levaram algumas ações a renovar máximos históricos, como a mineradora mexicana Fresnillo, que disparou mais de 400% este ano. Entre as cotadas com pior desempenho nos mercados globais estão empresas do setor do retalho e private-equity.

Chips, metais preciosos e armas são os grandes vencedores dos mercados financeiros
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Fabricantes asiáticos de chips e empresas europeias de defesa estão entre os maiores vencedores dos mercados acionistas em 2025, enquanto as ações de consumo nos EUA sofreram, à medida que o boom da inteligência artificial e a guerra comercial de Donald Trump se tornaram grandes divisores para as ações globais. A alta da IA impulsionou a recuperação de Wall Street após uma forte queda em abril, ajudando a gigante dos chips Nvidia — com uma valorização de 35% no ano — a tornar-se a primeira cotada a valer mais de cinco biliões de dólares. A bolsa chinesa e sul-coreana registaram fortes subidas, graças à performance das tecnológicas. As ações de empresas mineradoras de ouro também brilharam devido à ascensão histórica do metal, em parte uma reação às preocupações com o dólar provocadas pelas políticas radicais de Trump. “Os vencedores e derrotados de 2025 foram definidos pela capacidade de navegar os compromissos de gastos com defesa, a revolução da IA, as tarifas e as mudanças críticas [do dólar] como moeda”, disse Florian Ielpo, chefe de macroeconomia da Lombard Odier.

Vencedores

Fresnillo: +443%
Os títulos das mineradoras de metais preciosos estão entre os ativos com melhor desempenho do mundo neste ano. Empresas como a Fresnillo, produtora de prata com sede na Cidade do México, têm aproveitado o momento: a empresa multiplicou seu valor por cinco em 2025, tornando-se a ação com melhor desempenho do índice FTSE 100, de Londres.

Robinhood: +229%
A Robinhood é o símbolo da euforia dos mercados em 2025. As ações da corretora, a pioneira no lançamento de contas de títulos sem comissões, triplicaram desde o início do ano, impulsionadas por um aumento na negociação de criptoativos.

SK Hynix: +234%
As ações da sul-coreana SK Hynix mais do que triplicaram, à medida que o investimento em servidores de IA impulsionou a procura pelos chips de memória de alta largura de banda. Os lucros no terceiro trimestre atingiram um recorde, enquanto as margens superaram os 50%.

Rheinmetall: +151%
A decisão do chanceler alemão Friedrich Merz de libertar centenas de milhões de euros para gastos militares ajudou a tornar a Rheinmetall uma das principais vencedoras do índice Stoxx Europe 600. A fabricante de tanques e munições sediada em Düsseldorf viu as ações dispararem desde a invasão em grande escala da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin.

Société Générale: +150%
O ano de 2025 foi forte para as ações de bancos europeus, com destaque para o Société Générale, o título com melhor desempenho do índice francês Cac 40. Embora o Banco Central Europeu tenha reduzido as taxas em um ponto percentual neste ano, os mercados acreditam que o ciclo de cortes chegou ao fim. O SocGen teve uma valorização superior a outras instituições como o Santander, que subiu 123% e o Deutsche Bank 98%.

Derrotados

Lululemon: −45%
Apesar de ter anunciou planos para expandir a sua presença internacional em 2026 com a entrada em seis novos mercados – assinalando o maior número de lançamentos em novos países realizado pela marca num só ano – os títulos da retalhista estão entre os que mais perderam valor este ano. A empresa foi duramente atingida pelas tarifas de Trump e pelas pressões de custo sobre os consumidores americanos, além de erros de produto e aumento da concorrência.

Strategy: −42%
A maior detentora corporativa de bitcoin do mundo teve um ano terrível. As ações da Strategy dispararam no primeiro semestre de 2025, inspirando centenas de empresas ao redor do mundo a copiar o modelo de negócio (captar recursos nos mercados de dívida e ações para financiar compras agressivas de criptoativos). No entanto, a sustentabilidade do modelo passou a ser questionada a partir do momento em que o próprio preço do bitcoin também caiu. As ações da Strategy baixaram para o nível mais baixo desde outubro de 2024.

LyondellBasell: −42%
Foi um ano desastroso para as empresas químicas, com as tarifas de Trump a ampliar os problemas de um setor que já enfrentava excesso de capacidade e procura fraca. As ações da LyondellBasell, sediada nos EUA e um dos maiores grupos químicos cotados do mundo, caíram 42% no último ano, e a empresa anunciou o encerramento de várias fábricas.

CVC: −33%
As ações da gestora europeia de private equity CVC perderam um terço de seu valor neste ano, colocando-a entre as piores performances de um setor afetado pela escassez de negócios. As empresas de private equity têm enfrentado dificuldades para vender empresas que constam dos seus portfólios, prejudicando as perspectivas de captação futura e, por consequência, pressionando as ações.

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