Num mundo de superpotências, os países médios e pequenos são presas isoladas, e a coligação é o mecanismo pelo qual os não-gigantes deixam de negociar sozinhos com gigantes.
As notícias más e péssimas vão começar a avolumar-se a partir de janeiro do próximo ano. O que pode ser feito? Antes de mais, importa proteger a nossa saúde mental.
A Europa está comprometida em aumentar os investimentos em defesa. Portugal deve estar alinhado com essas metas. Todavia, de nada serve anunciarmos investimentos na área da defesa se depois não os fizermos.
Para ser um 'grande actor' na nova ordem mundial, a Europa terá de ultrapassar o modelo da Europa das Nações, substituindo-o por um modelo federal. Difícil, sim, mas inevitável.
E não é só (nem principalmente) por causa da Ucrânia: que fará o novo presidente dos Estados Unidos se a Rússia atacar um país europeu que faça parte da aliança?
Os BRICS não se limitam a desafiar o status quo. Sua função mais essencial é dar voz ativa aos países emergentes e permitir sua influência no processo de reforma do poder global.
Ao final de dois anos e meio de guerra, a fórmula do “deem-nos mais armas que nós resolvemos a guerra” está esgotada. Não funcionou no passado e muito menos funcionará no presente.
“Acabei de falar com Recep Tayyip Erdogan [Presidente turco] sobre o ataque terrorista em Ancara. A minha mensagem foi clara: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) está com a Turquia”, disse Mark Rutte, na rede social X (antigo Twitter).
“O embaixador alemão em Moscovo foi convocado para o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, ao qual foi feito um forte protesto”, afirmou a diplomacia russa em comunicado.
“Se for confirmada a informação de que os esquadrões da morte da Rússia estão equipados com munições e pessoal norte-coreano, teremos de pensar em enviar tropas e outras ideias de Macron”, disse o chefe da diplomacia lituana em declarações ao Politico.
“É preciso investir mais". É esta a palavra de ordem do novo secretário-geral da NATO, que acaba de tomar posse. O neerlandês quer uma agência forte e diz não estar preocupado com as eleições norte-americanas. O norueguês Stoltenberg regressa a casa dez anos depois.
Estónia, Letónia, Lituânia e a Polónia já tinham anunciado, em janeiro, o plano para uma “Linha de Defesa do Báltico”. Países querem construir rede de defesa nas fronteiras com a Rússia e a Bielorrússia.
O apoio dos EUA tem limites. Os pacotes da ajuda têm vindo a reduzir e as sondagens na Ucrânia mostram uma sociedade cada vez mais cansada da guerra, e o aumento dos que estão dispostos a considerar a paz sem uma vitória total.
“Se esta decisão [de uso de mísseis de longo alcance ocidentais] for tomada, significará nada menos do que o envolvimento direto dos países da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] na guerra na Ucrânia”, advertiu Putin.
A linguagem belicista que promove jogos de soma nula será prejudicial à Europa, como sempre o foi no passado. A arquitetura securitária europeia que vier a ser desenhada terá necessariamente de incluir a Rússia como um igual.