Num mundo de superpotências, os países médios e pequenos são presas isoladas, e a coligação é o mecanismo pelo qual os não-gigantes deixam de negociar sozinhos com gigantes.
Ancara tem sido 'bombardeada' com pedidos de aceitação da adesão da Suécia, tanto por parte daquele país como da Finlândia e da própria NATO. Em termos estratégicos é a entrada dos dois que aumenta determinantemente a influência regional da aliança.
A visita do presidente da Finlândia à Turquia não deixava dúvidas: Recep Erdogan preparava-se para pedir ao Parlamento um voto favorável para a adesão dos finlandeses à NATO. Confirmou-se. Falta agora a Suécia - mas também lá chegará.
A Fores paga mais de 60 mil euros a quem elimine ou proceda à destruição de tanques e mais de seis mil euros pelos ataques seguintes. São também pagos 187 mil euros pela destruição de caças que vierem a ser colocados ao serviço da defesa ucraniana por parte dos países da NATO.
Macron, à saída do G-20, anunciou uma visita a Pequim dizendo que é “muito bom” a China querer a Paz, marcando assim algum distanciamento face à posição apressada da UE.
A pior solução para os europeus é não considerarem a Ucrânia um interesse vital e acabarem por ter de morrer por ela. Washington sabe o que quer e o que está a fazer. Os dirigentes europeus nem por isso.
A importância que a Administração Biden tem vindo a atribuir a Varsóvia sugere a intenção de aprofundar o projeto da “Nova Europa” proclamado por Rumsfeld há duas décadas, em detrimento das relações com os dirigentes da “Velha Europa”.
O mundo mudou em resultado desta guerra. O próprio sistema político americano está em desagregação, o que leva a que se questione o tempo que o país estará em condições de suportar, na Europa, um conflito cada vez mais dispendioso.
Ao direito parece ter voltado a impor-se a força e a barbárie. Mas importa sublinhar que as 'democraturas' não são legítimas e, por isso, não são aceitáveis.
O secretário-geral da NATO alertou que os combates na Ucrânia podem sair do controlo e o atual conflito transformar-se numa guerra entre a Rússia e a NATO.
Se dúvidas ainda existissem, o Ocidente mostrou que não está interessado num confronto direto e Putin estará agora ainda mais convencido de que o compromisso para com a Ucrânia poderá vacilar devido ao impacto crescente na economia e ao receio de uma guerra generalizada.
A governante alemã considerou que as ameaças feitas pela Rússia devem ser levadas a sério. "A NATO deve fazer mais pelas questões de segurança porque não sabemos o quão longe podem ir os delírios de grandeza por parte de Vladimir Putin", referiu a ministra da defesa da Alemanha.
O atual caminho tem de ser invertido, através de formas de suspender a guerra, sob pena de a próxima recessão económica ser muito mais dramática que a anterior crise das “dívidas soberanas”.
O general norte-americano Mark Milley deu recentemente nota de que as negociações seriam a solução lógica para o conflito ucraniano, salientando que “ambos os lados devem chegar, por eles próprios, a essa conclusão”.
Passou o tempo em que uma guerra entre os sociais-democratas despertava a atenção e dava audiências. A degradação da marca PSD e o desinteresse generalizado por ela é um dos maiores legados de Rui Rio que, aliás, o ridículo matou.
A fragilidade europeia vai além da dependência energética da Rússia. Está sobretudo associada à estratégia económica dos países europeus, muito assente em exportações e, como tal, funciona mal num sistema de sanções prolongadas.