Foi a quinta reunião consecutiva sem mexidas nos juros diretores, com Powell a considerar apropriado a Fed manter uma "postura moderadamente restritiva" face aos riscos em várias direções e apesar das críticas de Trump e do voto contra de dois governadores - a primeira vez que tal acontece desde 1993.
O mercado atribui forte probabilidade a uma reunião sem mexidas, mas os dois governadores nomeados por Trump já sinalizaram a vontade de ver os juros recuarem, em linha com o presidente. Caso ambos divirjam da decisão da Fed, será a primeira vez desde 1993 que dois governadores votam contra.
A visita de Trump à Reserva Federal teve momentos de comédia involuntária, mas o sinal subjacente não dá vontade de rir: o ataque da Casa Branca à independência das instituições norte-americanas ameaça minar a confiança internacional na maior economia do mundo. E o presidente não deve ter o corte de juros que tanto quer na próxima semana.
Lagarde, Powell e Bailey reconheceram que a tendência é para a política monetária se tornar cada vez menos restritiva, mas recusaram dar quaisquer pistas sobre quando voltarão a descer os juros, enquanto os governadores japonês e coreano se focam mais nos riscos vindos do comércio global.
"O que interessa é usar as ferramentas que o Congresso coloca ao nosso dispor para atingir o pleno emprego e estabilidade de preços. Nisso é que nos focamos a 100%", resumiu Powell quando questionado sobre o impacto dos recorrentes ataques do presidente à liderança do banco central.
O presidente da Fed reconheceu que "uma maioria silenciosa dos membros do Comité de Mercado Aberto projetam que seja apropriado voltar a reduzir taxas este ano", embora não apontando qualquer data para tal.
O Fórum anual do BCE arranca hoje em Sintra, novamente com as mudanças na economia global como pano de fundo. Ao JE o governador Mário Centeno destaca os temas a debater como a heterogeneidade entre economias e a nova arquitetura do comércio mundial. E os efeitos positivos da atuação dos bancos centrais “no cumprimento do seu papel de promotores da estabilidade”.
Dou especial valor às reações divergentes. Por exemplo, quando uma empresa divulga maus resultados e a cotação não desce, isso é um sinal de força do mercado. Pelo contrário, se as notícias são boas e o ativo em questão não valoriza ou até cai, é um sinal de fraqueza.
Jerome Powell salienta que "o desemprego continua baixo" e o mercado de trabalho mostra força das empresas, apesar do clima de incerteza. Alerta, porém, para a aceleração da inflação, que continua acima do objetivo definido.
Os responsáveis continuam a prever dois cortes até final do ano. Ao mesmo tempo, estimam uma aceleração da inflação para os 3% até ao final de 2025, ao passo que o crescimento da economia dos EUA deve desacelerar mais do que o esperado, para 1,4%.
O dia vai ficar marcado pelo discurso de Jerome Powell, que deverá anunciar a manutenção dos juros, pelo que o foco estará em sinais que possa deixar sobre eventuais futuros cortes até final do ano.
"Não precisamos de ter pressa", repetiu várias vezes o presidente da Fed, pintando uma economia com sinais preocupantes, mas onde os dados concretos continuam a mostrar força e resistência à incerteza criada pela política comercial de Trump.
A política comercial norte-americana tolda quaisquer perspetivas de curto prazo, revestindo a maior economia do mundo de incerteza e dificultando a tarefa da Fed, cada vez mais obrigada a escolher entre o crescimento e a inflação. Descidas de juros só mais para a frente - e até aí começam a surgir dúvidas entre os economistas.
É importante que o presidente da Reserva Federal seja visto como independente, pois é a melhor forma de manter a confiança nos ativos denominados em dólares.
O presidente dos EUA não tem dúvidas de que a inflação está controlada e salienta que é imperativo baixar os juros "agora", de forma a estimular a economia.
A forte volatilidade nos mercados financeiros desde que o Presidente Donald Trump anunciou tarifas abrangentes em 2 de abril, apenas para suspender a maioria delas uma semana depois, levou a especulações sobre se a Fed cortaria em breve sua taxa básica de juros ou tomaria outras medidas para acalmar os investidores, mas ainda é incerto.
Analistas concordam que Powell mostrou habilidade ao confortar os mercados apesar do corte na projeção de crescimento e mais inflação, enquanto a Fed procura mais clareza no curto prazo.