Warsh, de 55 anos, tem um passado no banco central como membro do Conselho de Governadores entre 2006 e 2011 (onde foi, à altura, o membro mais jovem na história da Fed) e em vários bancos de renome nos EUA, além de se ter formado em várias universidades de topo. Chega agora à liderança da Reserva Federal, que já acusou de falta de credibilidade.
Presidente da Fed mudou de postura, acusando Trump de o visar pela sua recusa em baixar taxas, e analistas e conselheiros da Casa Branca convergem: a perseguição a Powell será contraproducente.
Após ser sabido que Powell estaria sob investigação pelo Departamento de Justiça a propósito do testemunho dado no Congresso sobre as renovações na sede da Fed, os líderes dos maiores bancos centrais ocidentais manifestaram-se do lado do banqueiro, sublinhando a sua "integridade" e "compromisso".
O presidente do banco central defendeu que a intimação faz parte da pressão contínua, exercida por Trump sobre a instituição, para cortar as taxas de juro de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%.
A Fed reúne-se a 28 de janeiro naquela que será a antepenúltima reunião de Jerome Powell como líder da Reserva Federal norte-americana. O FedWatch, do CME Group, atribui uma maior probabilidade a que as taxas de juro se mantenham inalteradas nas reuniões de janeiro [interrompendo ciclo de descidas iniciado em setembro de 2025] e março e que em abril exista uma descida.
Com três dissidentes, algo inédito desde 2019, a Fed optou por voltar a descer taxas, mas colocou alta a fasquia para mais cortes, dadas as ameaças ao emprego e à inflação a 2%. Revisão de projeções também espelha divisões internas.
Os juros diretores nos EUA ficam assim entre 3,5% e 3,75%, o valor mais baixo desde 2022, apesar dos três votos contra, uma oposição não vista desde 2019. Também nas projeções para as taxas de juro se vê a divergência de visões no seio do banco central.
O mercado dava uma probabilidade de 99% de corte nas taxas de juro pela Fed em 0,25 pontos percentuais, esta quarta-feira, e uma probabilidade de 94% de existir um novo corte de 0,25 pontos percentuais, na última reunião do ano, prevista para dezembro.
No final de uma reunião de dois dias, a Fed decidiu cortar os juros em 25 pontos base, para um intervalo entre 4,00% e 4,25%, pela primeira vez desde dezembro de 2024.
A decisão da Fed foi de encontro ao esperado pelo mercado. Os analistas atribuíam uma chance de 96% existir hoje uma baixa de 25 pontos base e de 40% para um corte de 50 pontos base.
Trump já está a analisar candidatos a presidente da Reserva Federal com base num caderno de encargos que contempla a redução do pessoal, o recentrar nas tarefas 'core' e o encerramento de algumas Fed regionais.
Na reunião anual do banco central em Wyoming, o presidente do Fed justificou essa possibilidade com o facto de "o equilíbrio dos riscos parece estar a mudar".
Para o analista da ActivTrades Europe, Henrique Valente, se Jerome Powell, no discurso de hoje, em Jackson Hole, tiver uma postura "mais restritiva" e reforce "a dependência dos dados e a necessidade de controlar a inflação, que já vai no seu quinto ano acima da meta dos 2%" isso iria "sustentar o dólar e aumentar a pressão" sobre as bolsas.
Os mercados registaram um dia pautado pelo sentimento negativo, sendo que Lisboa e Londres escaparam. Os holofotes recaem agora na reunião que junta presidentes do bancos centrais de todo o mundo, onde Jerome Powell pode levantar o véu sobre decisões a tomar em setembro.
O presidente dos Estados Unidos voltou a apelar para um corte significativo das taxas de juro no país e diz que a culpa dos norte-americanos não conseguirem obter uma hipoteca é do líder da Reserva Federal.
Ao mesmo tempo que volta a insistir da redução imediata dos juros de referência, Trump admite deixar passar um processo referente à reforma da sede da Fed, que envolveu três mil milhões de dólares na construção de edifícios.
Presidente da Fed antecipa uma reunião de setembro “animada”, mas mostra-se preparado para manter os juros elevados, desafiando mais uma vez a vontade de Donald Trump.
A prudência recomenda que se espere até conhecer o real impacto destas tarifas. Mas Trump não quer esperar, até porque juros mais baixos são poupança no custo da dívida pública e menor défice orçamental.