Os dados económicos, nomeadamente sobre a inflação, devem vir a suportar a decisão da Fed de avançar com um corte de 50 pontos base nas taxas de juro, contrariando aquela que era a expectativa da maioria dos investidores.
O presidente da Fed apontou a um corte nas taxas de juro já em setembro e deixou os mercados animados, com os principais índices a encerrarem em alta a última sessão da semana passada.
Os bancos centrais "estiveram atrás da curva na subida de taxas e agora continuam atrás da curva na descida", enquanto que “os dados do emprego que vão ser conhecidos serão essenciais” para a Fed avançar, no futuro, com cortes de 25 ou 50 pontos base.
O discurso do presidente da Fed em Jackson Hole marcou o dia, não apenas nos mercados norte-americanos, como também nos europeus. O sentimento positivo que gerou foi visível nas principais praças, assim como em Lisboa.
Governador português falou hoje em Jackson Hole e defende que a consequente reunião de outubro vai ser "engraçada". Aterragem suave da economia? "Não crescemos", disparou Centeno.
É o cenário de recessão nos EUA provável? A Goldman Sachs dá-lhe 41% de probabilidade, a Morgan Stanley 31% e a 'pool' de economistas consultada pela Bloomberg 30%.
No geral, o mercado espera que haverá três cortes nas taxas diretoras de 25 pontos base este ano, com o primeiro a ocorrer na reunião de setembro do organismo regulador norte-americano.
EUA : As palavras do presidente da Reserva Federal impulsionaram os índices norte-americanos e as projeções de cortes, com o mercado a apontar agora para descidas sucessivas até final do ano.
O presidente da Reserva Federal dá mais sinais de que a política monetária pode ficar menos restritiva ainda antes de ser atingido o objetivo de médio-prazo para a inflação, até porque este indicador "tem um certo ímpeto". Uma 'aterragem suave' continua a ser um cenário possível, continuou.
Os principais índices estão a avançar, pouco antes da hora marcada para a comparência de Powell no Senado. As boas perspetivas dos investidores terão já em conta os dados da inflação que vão ser conhecidos na quinta-feira.
“A Europa tem registado aumentos de produtividade, em média, de 1% por ano há 40 anos; nos EUA tem sido de 2%”, resumiu o presidente da Fed na audição no Senado, onde procurou frisar a dependência dos dados do lado dos juros.
Em Portugal, o INE revela novos dados sobre a inflação (junho) e da balança comercial (maio). O dia fica ainda marcado pelo índice de preços ao consumidor na China e pelos discursos dos presidentes do Bundesbank e Fed.
“Dado o progresso que fizemos nos últimos dois anos em abrandar a inflação e arrefecer o mercado laboral, uma inflação elevada não é o único risco que corremos”, relembrou aos senadores na audição semestral do presidente da Reserva Federal no Senado norte-americano.
Enquanto lá por fora se aguarda com expectativa pelo relatório mensal da OPEP e pelo discurso do presidente da Fed, em Portugal, o INE revela dados da indústria - volume de negócios, emprego, remunerações e horas trabalhadas - e o índice de custos de construção de habitação referentes ao mês de maio.
A tendência de alívio da inflação parece ser para continuar, embora com muitos pontos de interrogação no horizonte, tanto fruto das tensões bélicas, possibilidade de novas barreiras ao comércio ou situações políticas internas, reconheceram os vários oradores no Fórum do BCE realizado em Sintra.
Num ano em que mais de metade da população mundial vai às urnas e quando as tensões políticas estão em níveis não vistos há largos anos, os bancos centrais têm de frisar ainda mais a sua independência do poder executivo, defenderam os responsáveis do BCE, Reserva Federal e Banco do Brasil.
O presidente da Fed destacou que a maior economia do mundo regista "um défice muito grande numa altura em que está em pleno emprego", algo que "não é sustentável". Este deve ser um tópico urgente na discussão interna norte-americana, apela.
Em março, as projeções económicas da autoridade monetária norte-americana apontavam para dois a três cortes da taxa diretora este ano, mas a Reserva Federal tem vindo a mudar a sua perspectiva, dado o caminho lento da inflação em direção à meta de 2% e a manutenção de um mercado laboral forte.
Mercados acreditam que o arranque dos cortes só deverá ter lugar em setembro, quando a inflação já estiver mais estabilizada. Fed vai atualizar projeções económicas e inflação de maio vai ser hoje conhecida.