Depois da pandemia e da guerra da Ucrânia, muitas pessoas e empresas finalmente acordaram para o impacto (negativo e positivo) que a tecnologia traz às suas vidas e à sua competitividade.
A Transformação Digital “à força” destapou muitas inconsistências de trabalho não realizado até então, pois poucos foram aqueles que, antecipada e estruturadamente, haviam definido estratégias digitais, beneficiando diretamente nas suas atividades de vantagens competitivas claras, principalmente por incompetência da concorrência.
É comum substituir os processos de planeamento atempado ou de realização de manutenções preventivas, em muitas áreas da sociedade, pelo “temos tempo” ou pelo privilegiar as manutenções corretivas.
Existe na sociedade um statu quo estrutural e natural para a correção de problemas e não de antecipação e prevenção de problemas. Aliás, na política aplica-se muito a regra do “tapamos o buraco da estrada”, em vez de se fazer manutenção capaz de evitar “o aparecimento do buraco na estrada”, uma vez que há a sensação de que o trabalho de prevenção não tem retorno em votos, pela invisibilidade dessa ação no curto prazo.
Nestes últimos anos, começamo-nos a aperceber que alguma coisa verdadeiramente está para acontecer, na sociedade em geral, por causa da tecnologia! Muitos não sabem bem o quê, mas sentem e pressentem. Muitos assobiam para o lado, na esperança que seja algo para os seus filhos ou netos.
Na realidade, assistiremos a vários fenómenos disruptivos na sociedade e nas empresas nos próximos dez a 20 anos. Assistiremos a uma mudança estrutural de muitos dos elementos competitivos que habitualmente estavam presentes na gestão de tarefas e de negócio nas sociedades. Uma disrupção que será liderada por aqueles que entenderem em que medida poderão incorporar, ao máximo, a automação nos seus processos, mas já não apenas num modelo de automação baseado em atividades técnicas repetitivas.
A mudança será estrutural pela forma como sociedades, empresas e organizações se mostrarem capazes de criar autonomias dinâmicas de criatividade e de decisão automática através da tecnologia, assumindo um processo de delegação da decisão de atividades em plataformas tecnológicas, e não em humanos.
Muitas empresas não escalam porque os gestores não sabem ou não querem delegar, por necessidade de controlar ou por não confiar efetivamente nas suas equipas. Agora imagine quando alguém lhe diz: delega na plataforma digital “inteligente” esse processo…
Um exemplo simples, para perceber se está preparado para delegar:
Permitiria que uma plataforma digital “inteligente” definisse o lançamento e a execução de um produto ou serviço, dando orientações e chefiando as atividades de humanos/colaboradores da empresa?
Está preparado para que seja uma plataforma digital “inteligente” a definir e a lançar, a qualquer momento, uma campanha digital de um produto, definindo e executando automaticamente, sem intervenção humana, a criação de banners publicitários, conteúdos específicos (imagens, textos, posts, entre outros) e a sua publicação nos canais onde está o público alvo desse novo produto ou serviço?
Este é um caminho, aparentemente assustador para alguns, que naturalmente carece de Inteligência Humana para tentar a garantir a produtividade e competitividade, fusionando a Inteligência Artificial com a Inteligência Humana na tomada de decisão e execução, e não apenas no suporte à decisão.
No relatório mais recente do Fórum Económico Mundial, de 30 de abril de 2023, sobre os Empregos do Futuro, são patentes as evoluções de empregos nos próximos anos precisamente nas áreas de Inteligência Artificial e de Transformação Digital versus o desaparecimento de empregos de características técnicas tradicionalmente de decisão humana.
As questões a colocar aos líderes organizacionais são muito simples: vão ter a Inteligência de Gestão para antecipar esta inevitabilidade de um novo salto tecnológico disruptivo na competitividade, baseado em plataformas digitais “inteligentes” e autónomas? Ou vão querer ver definhar a organização, por quererem manter uma competitividade Artificial, através de métodos de gestão tradicionais?
Em termos práticos, será que teremos lideranças capazes com a Inteligência necessária para saber e fazer jogar a Inteligência Humana com as novas regras de Inteligência Artificial, através de um novo mundo de aceleração de processos dinâmicos de Transformação Digital?