China critica mecanismo da UE para limitar importação de produtos poluentes

A partir de 1 de janeiro, o Mecanismo de Ajustamento do Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) prevê a cobrança de uma taxa, equivalente às emissões de carbono, às importações de produtos considerados poluentes.

China critica mecanismo da UE para limitar importação de produtos poluentes
poluicao

A China criticou a entrada em vigor do novo mecanismo da União Europeia (UE) para tentar limitar a importação de produtos poluentes, classificando-o como discriminatório e injusto, e prometeu as “medidas necessárias” em resposta.

A partir de 1 de janeiro, o Mecanismo de Ajustamento do Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) prevê a cobrança de uma taxa, equivalente às emissões de carbono, às importações de produtos considerados poluentes.

A medida irá afetar os importadores de determinados produtos com elevadas emissões de carbono, como o aço, o ferro, o cimento, o alumínio, os fertilizantes, o hidrogénio e a eletricidade.

Após um período de transição lançado em 2023, em que era pedida a declaração de emissões, o sistema passará a exigir a compra e entrega de certificados CBAM, cujo preço estará ligado ao Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da UE.

Bruxelas defendeu que a medida visa prevenir que os países mais pobres sejam inundados por indústrias poluentes, assim como garantir uma concorrência leal entre os produtores europeus e de fora da UE.

Mas a China acusou Bruxelas de ignorar as “enormes conquistas” do país no desenvolvimento verde e de baixo carbono, ao estabelecer valores de referência “significativamente elevados” para a intensidade carbónica dos produtos chineses.

“Isto não está em consonância com o nível atual da China nem com as suas tendências de desenvolvimento futuro e constitui um tratamento injusto e discriminatório para o lado chinês”, afirmou o Ministério do Comércio chinês.

Num comunicado, um porta-voz do ministério defendeu que o mecanismo viola os princípios da Organização Mundial do Comércio e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

Num comunicado, o ministério acusou o bloco europeu de “ignorar a responsabilidade histórica pelas emissões, as fases de desenvolvimento nacional e os níveis tecnológicos”.

Sob o pretexto de “prevenir a fuga de carbono”, a UE está a promover “um novo protecionismo comercial, impondo os seus próprios padrões de carbono aos países em desenvolvimento”, lamentou a China.

O porta-voz instou a UE a “respeitar” as regras internacionais, “abandonar o unilateralismo e o protecionismo”, manter os mercados abertos e promover “a liberalização e a facilitação do comércio e do investimento” no setor verde.

“A China está disposta a avançar na mesma direção que a Europa e a cooperar para enfrentar os desafios globais das alterações climáticas”, sublinhou o ministério.

No entanto, Pequim “tomará firmemente todas as medidas necessárias para combater quaisquer restrições comerciais injustas e salvaguardar os seus interesses de desenvolvimento”, concluiu o porta-voz.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.