Nos últimos 50 anos os portugueses viveram períodos únicos na história de Portugal. Deixámos uma ditadura para trás, conquistámos liberdade, crescemos económica e socialmente. Ou pelo menos assim gostamos de pensar e de nos iludir.
Na verdade, os portugueses continuam reféns de uma ideologia que não deixa, nem pretende que a sociedade progrida. Ora vejamos, poucos conseguem paralisar um país que quer trabalhar.
Poucos conseguem manipular dados por forma a criar a ideia, junto da opinião pública, que o melhor é continuar tudo igual.
E poucos conseguem efetivamente fazer tudo para que Portugal não mude.
Podia estar a referir-me a burocracia, lentidão da justiça, reformas estruturais adiadas, mas refiro-me a compromissos que o Estado Português assume e depois dá o dito por não dito, muito para apaziguar a ditadura silenciosa que ainda por aí mora.
Depois de, em janeiro de 2024, o Estado Português ter aprovado uma lei que previa que o processo de residência temporária começava a contar a partir da submissão do processo junto da AIMA, agora o mesmo Estado faz tábua rasa, e tal só acontece a partir do recebimento do cartão de residência.
Ou seja, os investidores que aplicam no país 500 mil euros, que acreditam em Portugal, que têm de se submeter à burocracia portuguesa, têm de esperar que alguém se lembre deles, num país que precisa de investimento estrangeiro.
Os governos não devem apenas apontar aos mega projetos de milhares de milhões de euros que dão votos, mas também para quem vem a Portugal, gasta em restaurantes, hotéis, arredamentos de curto ou longo prazo e fez desta economia uma das melhores em 2025.
Ao sermos todos ‘iguais’, estamos a colocar quem entra em Portugal pelas mãos de agência de imigração e redes ilegais – um problema que carece de solução – no mesmo pé de igualdade de quem quer investir, não tem via verde, nem uma AIMA que os receba condignamente.
Importa dizer que é difícil reconstruir a confiança junto de investidores estrangeiros que desistem dos processos e nunca mais pretendem regressar a Portugal, nem para férias. E perguntar: quem garante que dentro de cinco anos as regras não mudam outra vez?
O tratamento igualitário é uma utopia. Uma coisa são os direitos fundamentais que têm de ser protegidos, outra é criar a ilusão que temos todos os mesmos direitos. O dinheiro não faz diferença? Então e os inúmeros casos que prescrevem e que nos envergonham? Assim continuaremos a ser uma República das Bananas e é difícil alguém levar-nos a sério.