Enquanto continuarmos a medir o rigor pelo número de documentos exigidos e não pela qualidade das decisões tomadas, continuaremos a ser, apenas, um país onde o papel muda de formato, mas a burocracia permanece intacta.
O fenómeno implica uma perda de receitas para 29% das empresas, aumenta os custos financeiros em 34% dos casos e limita a capacidade de expansão da atividade.
A IA não é o fim da consultoria tecnológica. Mas pode ser o fim de uma certa consultoria tecnológica: a que vende esforço em vez de inteligência, ocupação em vez de impacto, perfis em vez de resultados, horas em vez de transformação.
O líder de uma empresa de tecnologia diz-me que a velocidade a que o setor está a mudar é incompatível com prazos de decisão de dois, três ou cinco anos. É demasiado tempo.
A imagem de um meio‑campo que segura a bola sem progressão, vista no jogo de Portugal com o Congo, neste Mundial de Futebol, é metáfora involuntária do país. Circulamos entre intenções, adiamos decisões, consumimos tempo… e depois encolhemos os ombros.
Os governos não devem apenas apontar aos mega projetos de milhares de milhões de euros que dão votos, mas também para quem vem a Portugal, gasta em restaurantes, hotéis, arredamentos de curto ou longo prazo e fez desta economia uma das melhores em 2025.
Os burocratas, em si, tendem a complicar o que à partida é simples, e aplicam (tantas vezes) regras capazes de dissimular a sua ineficiência, aceitável sob a capa da confiabilidade da burocracia, sem deixarem de exercer um poder consubstanciado no dos “pequenos ditadores” - é o poder da burocracia e as suas armas de papel (ou electrónicas) com elevado impacto económico.
A burocracia não é, por si só, um problema. Controlo, compliance e enquadramento legal são essenciais para proteger empresas, acionistas e clientes. O problema começa quando os processos deixam de servir o negócio e passam a servir-se a si próprios.
O que hoje sabemos, confirmado pelo acertado pedido de demissão da ministra da Administração Interna, é que o problema exige a mão (o pensamento, a ação) do primeiro-ministro, mas não para andar de cortejo em cortejo a dar o ombro às senhoras.
“Gostava de ajudar, mas não faço as regras” ou “não faço melhor porque não me deixam”. O discurso da culpabilização é a marca de quem diz querer fazer, sem querer realmente fazer. E tem crescido, pelo menos, na minha experiência com empresas, instituições de solidariedade e no Governo: é cada vez mais difícil tomar decisões […]
Professores gastam horas a preencher formulários, atas e relatórios, comprometendo o ensino, revela um estudo da Federação Nacional da Educação (FNE) que denuncia um sistema educativo transformado em papelada.
Não discernimos o que é decisão política do que é um parecer técnico, o que compete à escolha de quem representa a sociedade no seu conjunto e o que respeita ao contributo que enquadra.
Portugal não vive uma bolha especulativa; vive um desequilíbrio estrutural entre a escassez de oferta, a lentidão do licenciamento e a falta de transparência nos dados públicos.
No painel "Fogo Cruzado, a União económica incompleta", Jorge Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA) e vice-presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), João Bento, CEO dos CTT e da direção Business Round Table, e Pedro Carvalho, CEO da Tranquilidade, abordaram as dificuldades que a economia portuguesa enfrenta no contexto do mercado europeu, concordando os três que é preciso dar passos que envolvam "coragem política".
Não sei se o inferno é feito de fogo, enxofre e chamas eternas, mas aqui, por algumas 'Áfricas', o verdadeiro inferno tem balcões de ministérios, carimbos que nunca se encontram e formulários com três vias, sendo que uma… desaparece sempre misteriosamente.
Portugal há mais de uma década que entrou nesta competição através dos Vistos Gold, mas está em vias de perder um potencial de mais de dez mil milhões em investimento nos próximos anos.
O Governo proclamou de forma quase definitiva que os processos de licenciamento impostos às empresas seriam simplificados e expurgados de burocracias inúteis. Infelizmente, os sinais que a realidade nos oferece parecem bastante diferentes.
“A burocracia é matéria que as empresas e os empresários sofrem que não é amiga do ambiente económico e muitas vezes cauciona aquilo que é a ambição de crescimento, de desenvolvimento e de investimentos”, disse, em Maputo, Pedro Machado, durante o lançamento do Diretório 2025, que aborda as potencialidades de Moçambique para o negócio, citado hoje pela comunicação social.