Empresas europeias preocupadas com liderança ineficaz, saúde mental dos trabalhadores e escassez de talento

Estes são os três principais riscos para as organizações relacionados com os colaboradores, concluiu a consultora Mercer. "Embora estes riscos não sejam exclusivos da Europa, os desafios geopolíticos, como as eleições nos principais países e os conflitos à nossa porta, juntamente com um ambiente económico difícil, exigem um equilíbrio entre a economia e a empatia", explica um especialista.

Empresas europeias preocupadas com liderança ineficaz, saúde mental dos trabalhadores e escassez de talento
Reuters

A liderança ineficaz das empresas, a deterioração da saúde mental dos recursos humanos e a escassez de talento são os três principais riscos para as empresas relacionados com as pessoas, de acordo com uma análise da consultora Mercer, divulgada esta terça-feira.

A conclusão consta do relatório internacional “People Risk 2024”, que tem por base a opinião de de 4.575 profissionais de recursos humanos e de risco a nível mundial e classifica os riscos por probabilidade e severidade em cinco pilares (mudança tecnológica e disrupção; liderança e práticas de gestão de pessoas; saúde, segurança e bem-estar; governance, compliance e finanças; ambiente, sustentabilidade e proteção).

Apesar da preocupação com a ameaça ao bem-estar psicológico, colocam-na na 20ª posição entre os 25 riscos mais prováveis de ocorrer. “Este desequilíbrio pode resultar na falha de diagnósticos e tratamentos ou na diminuição da qualidade dos cuidados de saúde, dada a disparidade entre a gravidade e a probabilidade de ocorrência”, acreditam os consultores da Mercer, que faz parte da Marsh McLennan.

“Muitas organizações europeias enfrentam riscos que os profissionais de recursos humanos e de risco veem como uma ameaça para o seu negócio. Embora estes riscos não sejam exclusivos da Europa, os desafios geopolíticos, como as eleições nos principais países e os conflitos à nossa porta, juntamente com um ambiente económico difícil, exigem um equilíbrio entre a economia e a empatia, uma vez que os colaboradores exigem mais apoio no local de trabalho”, comentou David Dodd, sócio da Mercer.

O inquérito revelou ainda que mais de metade dos inquiridos na Europa acham que acreditam que as disparidades entre a remuneração dos executivos e dos restantes colaboradores podem ter um impacto grave na sua empresa (52%) e o aumento dos custos com saúde e benefícios pode ter um efeito interno catastrófico (55%).

“Embora 40% dos inquiridos estejam preocupados com o aumento do risco de ciberataques devido à falta de consciencialização para a cibersegurança, de desenho organizacional e de cultura, apenas 29% afirmam ter atualmente uma cultura de cibersegurança eficaz”, lê-se ainda no “People Risk 2024”.

Na perspetiva de Miguel Ros Galego, responsável de negócio da Mercer Portugal, “as empresas podem enfrentar os riscos de frente, alavancando soluções personalizadas e a utilização da inteligência artificial, adaptando as suas estratégias face aos sistemas e regulamentos em constante mudança, encorajando também a colaboração entre as equipas de recursos humanos e de riscos, de forma a desenvolverem estratégias de prevenção”. “A resposta a estes desafios permitirá às organizações assegurar uma força de trabalho mais saudável e produtiva, orientando o cenário europeu para resultados mais positivos”, garante o especialista.

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