O xadrez político que saiu das eleições já levou Marcelo a sinalizar que a estabilidade é do interesse de todos, numa altura em que um bloco central foi já rejeitado por candidatos à liderança do PS.
Está na altura de ultrapassar as dicotomias estáticas tradicionais de referência política e ideológica. E de repensar a intervenção política e governativa em novos moldes.
Poderemos estar na presença de uma sucessão político-eleitoral, provocada por uma onda de protestos, mas sem a transformação política e do modus operandi dos regimes na região.
O facto de se procurarem respostas 'só após' as eleições, 'e não antes,' é um exemplo interessante de como o país aborda os seus desafios. Portugal é ótimo a reagir e péssimo a antecipar.
Lembro-me bem de Rui Rio ter repetido à exaustão que o regime precisava de se reinventar e de ter propostas nesse sentido. Caiu-lhe o regime em cima. Hoje, o regime lamenta-se...
Após as eleições deste domingo, Portugal irá entrar num ciclo de “italianização” do regime, de governos provavelmente curtos e de instabilidade quase permanente.
Os resultados eleitorais evidenciam, não uma simples mudança de ciclo político, mas a entrada numa nova dinâmica estrutural da vida política e institucional.
Creio que vou apreciar um líder do Governo a atuar em prol da missão a que está destinado, sem negatividade, ressabiamentos, interesses pessoais ou taticismos de poder.
O que fica é um governo de direita fraco, refém de acordos, assombrado por 48 deputados com o discurso anti-sistema. Os tempos são exigentes para governo e oposição. E esse deve ser um entendimento comum.
Luís Montenegro tem pela frente um caminho exigente de gestão governativa que poderá ser, também, uma oportunidade política de gerir o País mais ao centro, com equilíbrios à direita e à esquerda, mas sobretudo à direita.
Parece que à polarização se juntou uma mobilização política nestas eleições. Boas notícias: em Democracia, a participação popular é central para a sua manutenção e bom funcionamento.
Se já é domingo e não leu o que escrevi, não vale a pena fazê-lo. Já sabe o que eu não sei no preciso momento em que escrevo. Não faço ideia de quem ganhará, tenho as minhas suspeitas.