Continue-se a reformar o Estado. Não é só digitalizá-lo, é eliminar passos, processos. Mais: está muito previsto, planeado, faça-se acontecer, concretize-se. Para sairmos do reino do papel e do powerpoint para o da obra.
Tenho a convicção de que, nesta fase, o que o povo reclama são soluções de estabilidade, moderação e, naturalmente, de modernização da economia e da sociedade portuguesa em geral.
O quadro actual está a tender para a criação de um cenário de judicialização da política, que é pelo menos tão indesejável como o de politização da Justiça.
Depois de ter sido impedida a reinscrição de docentes a partir de 2006, os sindicatos recorreram aos tribunais que lhes deram razão, o que terá levado a Caixa Geral de Aposentações, a alterar a sua posição. Mais tarde, voltou atrás.
Os sindicatos da banca, quer os filiados na UGT, quer o Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos e Bancários (SNQTB), saúdam o Banco BPI pelo procedimento adotado de proceder ao recálculo da pensão a deduzir.
A confiança numa mudança alienou-se da vida quotidiana, por isso, desenganem-se os cidadãos que acham que o país mudará com governos politicamente fracos. Desenganem-se os cidadãos e os próprios políticos.
O país precisa disto duma forma temporária q.b., a fim de assegurar uma estabilidade real que assegure a viragem para um novo ciclo. Mas a realidade futura não vai, pela certa, ser esta.
É preciso convencer uma parte importante dos eleitores que há políticos portugueses com as qualidades e experiência para praticar as medidas que assegurem um presente e um futuro melhor a velhos e novos.
As medidas previstas no OE 24 são meras operações contabilísticas de “deve” e “haver”, não se se ataca muitos dos problemas, contingências e anacronias do sistema fiscal.
Enquanto as economias do norte e do centro da Europa se 'engasgaram' com o petróleo russo (ou a falta dele) o sol do Sul patrocinou o milagre da multiplicação pós-Covid. Portugal, Espanha e Grécia estão na linha da frente.
Voltamos a uma 'reprise' dos relacionamentos conturbados de Mário Soares/Cavaco Silva ou Cavaco Silva/José Sócrates, que quase bloquearam a acção governativa. Más notícias, portanto.
A Segurança Social começa a pagar esta segunda-feira o aumento intercalar das pensões. Pensão de velhice média, que está em 521 euros, vai subir cerca de 19 euros, que se somam ao aumento de 25 euros de janeiro.
Apesar de europeias, as eleições para o Parlamento Europeu funcionam em “modo nacional”, como barómetro da política interna mais do que um exercício de democracia europeia.
Foram quase oito meses de intervenção e luta incansável para repor a equidade, fazer respeitar a Constituição e subordinar, como é devido, o Estado à Constituição.
Urge efectuar as reformas necessárias nos sectores fulcrais como são a saúde, a educação, a justiça ou a administração pública, adoptar políticas públicas adequadas a cada sector.
O mitológico desenrascanço português não vai resultar num brilharete. Vai haver altar-palcos, mas todos sabemos a que custo financeiro e moral. É preciso que o Governo tenha a coragem de se opor aos vários 'lobbies' que querem construir a toda a força.