O Instituto Nacional de Estatística confirmou ontem o aumento do PIB de 2,3% em termos homólogos e uma estagnação em cadeia no segundo trimestre deste ano, com uma desaceleração das exportações. Os sinais de abrandamento fazem soar as campainhas de alerta para os riscos da economia portuguesa como o fim do boom turístico e contribuição deste sector para as exportações.
O desafio primordial é incontornável: a adoção de reformas estruturais que permitam elevar o crescimento potencial, mas isso depende da vontade política do Governo e exige um acordo mínimo com a oposição face a reformas que precisam de uma maioria alargada.
Este desafio ganha relevo olhando para o crescimento económico em uma ou duas décadas. Comparando o desempenho com outros países da União Europeia (UE) desde o início do milénio, a conclusão é dececionante. Portugal cresceu apenas 0,9% ao ano, face a 1,5% na UE, e foi ultrapassado em nível de vida por países de Leste que aderiram mais tarde e receberam muito menos fundos europeus, aproveitando muito melhor a oportunidade.
Pelo meio, num país com os cofres vazios, sem poder pagar educação, saúde e segurança social, houve a intervenção da troika, obrigando Portugal à implementação de um doloroso programa de ajustamento entre 2011 e 2014. É fácil perceber que aos sucessivos governos neste milénio, com especial incidência aos governos do PS – que estiveram a maior parte do tempo no poder –, a avaliação só pode ser negativa.
Basta ver agora as previsões de Bruxelas para o PIB per capita, que apontam para que Portugal possa cair para 22.º lugar na UE em 2024 e, no final deste ano, terá convergido zero pontos face a 2019. Continuamos muito longe da média europeia e de países como Espanha, França, Itália e Alemanha.
Nas últimas décadas muito se tem dito, pois, sobre o crescimento da nossa economia, ouvindo governantes e dirigentes dos principais partidos garantirem que estamos no “pelotão da frente” da UE, perante os cenários negros que se agitam de um Portugal na cauda da Europa, como o índice desenvolvido pela FEP e Universidade de St. Gallen, em que Portugal surge em 30º lugar, entre os 151 países analisados, degradando a sua posição no índice global (em 2022 ocupava a 22ª posição) e cada vez mais abaixo da média da União, num ano marcado por um aumento sem precedentes da inflação e pela guerra na Europa.
Pouco temos crescido e atrasamo-nos continuamente no ranking europeu. A ambição de crescer é essencial. O salto em frente é absolutamente imperioso. Não basta ouvir o tinir dos milhares de milhões da bazuca europeia. Seremos capazes? Ou vamos outra vez desperdiçar a oportunidade e cair?