Apesar de estabilizar face ao PIB, a dívida voltou a crescer no primeiro trimestre deste ano, atingindo o segundo maior valor de sempre relativamente ao PIB, segundo dados do Banco de Portugal, 276 mil milhões de euros.
O Ministério das Finanças sabe que as previsões de inflação contidas no OE 2022 estão desfasadas da realidade, mas prefere não rever o documento. Porquê?
Neste Orçamento foram aprovadas 119 propostas, 66 delas – a maioria – de partidos de oposição. Factos que desmentem o populismo. Não existe rolo compressor, existe sim diálogo.
É uma inevitabilidade que os lucros extraordinários, nomeadamente na banca, turismo, energia, gerados por uma situação económica anormal, sejam taxados.
Baixar a dívida pública não é uma medida de esquerda ou direita. É uma medida de boa gestão orçamental, que permite gastar menos em juros e serviço da dívida pública. Todos saem a ganhar.
Nesta fase da especialidade do Orçamento nos trabalhos parlamentares, venham propostas para corrigir o rumo, sem facilitismos, demagogias, despesismos ou eleitoralismos.
Especialistas ligados ao setor estimam que este verão seja o período mais crítico em termos logísticos, na sequência do colapso criado pelas restrições extremas impostas contra a Covid na China.
Com este OE, os trabalhadores que tenham aumentos salariais perdem poder de compra, pondo em causa uma das maiores promessas eleitorais socialistas, que é a valorização salarial.
É incompreensível que em Portugal um toureiro esteja isento do pagamento do IVA e um médico veterinário veja a sua atividade taxada a 23%. O PAN vai insistir na correção desta injustiça.
A meu ver, falta neste Orçamento uma mais consistente aposta no crescimento económico baseado na modernização e eficiência do nosso tecido empresarial.
O Programa de Estabilidade deveria identificar adequadamente as políticas públicas associadas ao investimento do Estado, para garantir que Portugal inverte a tendência de acantonamento na cauda da Europa.
Entre outras coisas, não encontramos neste Programa medidas de aumento de receita que compensem as despesas extraordinárias que possam vir a ser geradas pela crise social e económica que vai chegar com a inflação.
Muitas fundações não têm um objetivo social bem definido, não prosseguem interesses públicos que neste momento justifiquem tamanho esforço à população.
Este é um orçamento de contas certas na economia e nas finanças, que procura responder aos desafios de um cenário macroeconómico, que está extremamente afetado por um choque externo.