A prazo, um aliado cuja razão de ser é inegociável pode deixar de servir os interesses geoeconómicos dos Estados Unidos, pelo menos na visão transaccional de Trump.
O executivo liderado por Benjamin Netanyahu vai esta terça-feira debater qual será o grau da próxima intervenção militar em gaza. Nas ruas, vão multiplicar-se as manifestações em favor do regresso dos reféns.
O grupo radical palestiniano aceitou a mais recente proposta de cessar-fogo para Gaza, mas, dois dias passados, o governo de Benjamin Netanyahu ainda não deu qualquer resposta. Israel pode querer impor a libertação de todos os reféns.
Para Netanyahu, o ataque em solo iraniano foi uma demonstração de força. Mas para Donald Trump, agora de novo Presidente dos EUA, foi um lembrete incómodo de que mesmo os aliados mais próximos podem complicar estratégias delicadas.
Tanto Zelensky quanto Netanyahu veem no prolongamento das guerras a única estratégia eficaz para garantir permanência no poder, reforçando ideologias de guerra em detrimento de qualquer horizonte de paz.
As tarifas à Europa e a zanga de Trump com Putin e Netanyahu parecem ser uma cortina de fumo para que a dívida dos EUA deixe de estar no centro das atenções.
Como resistirão as instituições norte-americanas a um segundo mandato de Trump? E a Europa ao seu declínio? Será a democracia um ideal que ainda inspira? Continuamos a caminhar para a catástrofe climática com o Médio Oriente a ferro e fogo.
Nem a Ucrânia, nem Israel teriam conseguido resistir não fosse o apoio político, financeiro e militar proporcionado por Washington. Tanto Israel como a Ucrânia estão a servir interesses norte-americanos, em particular de um poderoso segmento das suas elites.
O presidente dos Estados Unidos insiste num cessar-fogo no Líbano. Entre outras coisas, porque sabe que a ‘rédea solta’ da atuação de Netanyahu é uma má notícia para Kamala Harris.
Num contexto em que o primeiro-ministro está a ser fortemente contestado por não fazer regressar os refugiados do cativeiro imposto pelo Hamas, dois ex-líderes das forças de defesa ‘destruíram’ a argumentação oficial sore o Corredor de Philadelphi.
Enquanto Biden fez saber que os EUA estariam sempre do lado de Israel, Trump é isolacionista e errático no que diz respeito às relações com os aliados.
Os líderes do governo israelita e do movimento palestiniano são acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, uma possibilidade que o próprio Netanyahu já havia abordado.
Bruxelas já deveria saber que sanções não funcionam e ter compreendido que a Guerra na Ucrânia e o apoio irrestrito ao governo de Netanyahu são contraproducentes para o futuro da Europa.
Biden está cada vez mais frustrado com a surdez coletiva do governo de Netanyahu, que põe a sua própria sobrevivência política em primeiro plano e se recusa a um cessar-fogo.
O primeiro-ministro de Israel falava depois de voltar de uma visita às tropas que lutavam dentro de Gaza, deixando uma mensagem de continuidade da guerra num momento em que o Egito apresentou uma proposta ambiciosa para acabar com a guerra entre Israel e o grupo islâmico palestiniano Hamas.
Na mesma semana, os dois senhores da guerra asseguraram que nada os moverá de perseguir os objetivos que levaram à guerra. E não desistirão enquanto não os alcançarem.
Não se pode, por enquanto, descartar a possibilidade da brutalidade da ação militar israelita, que tanto dano tem causado na população civil palestiniana, vir ironicamente a criar condições para se discutir uma solução política para o conflito.
O primeiro-ministro insiste que a guerra é para continuar após fim da trégua com o Hamas, apesar de pressões no sentido contrário e Netanyahu terá de avaliar de quantas vidas (políticas) ainda dispõe.
O acordo era 'apenas' um mini-acordo: 50 reféns por três dias de cessar-fogo. Mas as partes envolvidas não se entenderam, o que levou os mediadores a perderem cada vez mais a esperança no processo.