Quando o estreito de Ormuz fecha, o investidor descobre na pele o que é risco sistémico. E descobre, também, que existe um mercado inteiro construído para se proteger disso.
Talvez seja este o sinal mais preocupante face ao episódio do hantavírus: uma parte crescente da população já não procura informação. Procura validação psicológica.
A direita portuguesa não consegue mobilizar o passado para projectar o futuro, porque cultiva a política do ressentimento e mobiliza o medo da transformação social como um perigo iminente da contaminação dos portugueses.
“Fórmula 1: As Lendas” revela os riscos, o talento e a coragem de 32 pilotos para quem rolar a alta velocidade era paixão e forma de estar na vida. Entre o pódio e a força do atrito, os medos e a sede de vencer, muito há para contar.
A resposta deveria ser: todos nós. Porque não se trata apenas de recear uma invasão militar ou uma escalada nuclear. Trata-se de reconhecer que o maior perigo hoje é interno: é a erosão da confiança que mantém vivas as nossas democracias.
Estratégias baseadas na exploração do medo ou do ressentimento não são uma invenção moderna. Já os romanos dominavam a arte de manipular as emoções como parte da governação.
Em que mundo vivemos para que as mulheres se tenham tornado uma ameaça à masculinidade, a ponto de muitos homens retirarem, secretamente, um enorme prazer secreto com a sua sexualização e humilhação?
As narrativas populistas exploram, através de desinformação, o medo do desconhecido e da mudança, apresentando os migrantes como uma ameaça à cultura, à identidade e a valores tradicionais.
O mundo é muito melhor hoje do que no passado, e será ainda mais. Se os EUA e o Ocidente abandonarem a ideia de transformar a China numa nova União Soviética, paz e prosperidade prevalecerão.
Agora que partilhamos à exaustão dicas e manuais de sobrevivência para o caso de a terra tremer demasiado, importaria também guardarmos o que sentimos quando a terra nos treme.
Perguntei ao ChatGPT 4: “Podes escrever uma estrofe em estilo Fernando Pessoa sobre a mente, as rasteiras que ela nos prega e o futuro?” O resultado é aquele com que inicio este texto.
Há incêndios descontrolados em Portugal, mas também na Ásia ou Canadá. Há vagas de calor em praticamente todos os continentes. Pela primeira vez, sinto-me assustada com a possibilidade de não poder habitar por décadas a casa que escolhi.
Não posso estar mais de acordo com as palavras do Papa Francisco: “a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo”. O mesmo é dizer que os políticos não podem alimentar o discurso do medo.
A defesa e melhoria da qualidade da democracia também passa pelo cuidado com as emoções dos cidadãos, pelo exemplo das elites, pelo trabalho para prevenir injustiças.
Putin está a ganhar a guerra independentemente da resolução da guerra na Ucrânia. Os líderes nacionalistas, mais ou menos xenófobos, iliberais, na Europa ou no Sul, sairão reforçados nos seus territórios de poder, tenham muita, pouca ou nenhuma legitimação democrática.