O trabalho ainda não acabou, e vamos ter a repetição do que se passou no Canadá e na Austrália, onde os bancos centrais voltaram a subir taxas depois de terem feito uma pausa.
Estamos próximos da ‘silly season’, em que os temas vão ser a falta de mão de obra no setor do turismo, os preços dos alimentos que teimam em não descer, os juros que continuam elevados e os incêndios.
Cabe aos portugueses procurarem alternativas, e cabe aos políticos evitar a demagogia, como se a remuneração de qualquer dívida emitida pelo Estado não fosse paga pelos impostos.
O presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, reiterou hoje que o banco central norte-americano continua comprometido em baixar a inflação para 2% e afirmou que os dados económicos indicam que isso levará tempo.
O aperto monetário do BCE irá criar dificuldades acrescidas na zona euro, sobretudo num país com grande exposição a taxas variáveis como Portugal, mas o emprego continua a dar suporte à economia, que conseguiu crescer marginalmente no primeiro trimestre.
O governador do Banco de Portugal prevê que o aperto monetário vai manter-se “durante algum tempo” e só antecipa descidas dos juros em 2024, se a inflação ceder. Por cá, em abril, o Índice dos Preços no Consumidor diminuiu para 5,7%, mas abrandamento é explicado por efeito de base.
A Fed terá de avaliar muito bem a sua atuação, seja pelo incentivo à fusão das instituições, seja pela garantia de depósitos dos americanos, sob pena de ser uma bola de neve sobre o sector financeiro.
Na mais recente reunião de política monetária, em 04 de maio, o BCE voltou a subir as taxas de juro diretoras, pela sétima vez consecutiva, mas apenas em 25 pontos base.
A semana arranca com a entrada em vigor de alterações ao Código do Trabalho e, pelo meio, os dados da inflação e do emprego deverão ditar o rumo das estratégias de combate à inflação da Fed e do BCE. No Parlamento, prosseguem as audições na comissão de inquérito à gestão da TAP.
Ministros e ex-ministros estão furiosamente a disputar o poder, as benesses e os lugares na administração pública, que alegremente distribuem entre amigos, familiares e até cônjuges.
Talvez a médio prazo a mão de obra mais vulnerável encontre novas soluções para fugir à sazonalidade da economia, do dinheiro e da confiança. Mas, para já, há que surfar a onda e aproveitar o que aí vem.
O primeiro-ministro criticou hoje a subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) e considerou que "é hoje mais importante do que nunca" o país continuar a reduzir a sua dívida.
As ações da praça nova-iorquina estão apáticas no arranque de sessão. Os investidores aguardam a confirmação, por parte da Reserva Federal, de uma potencial nova subida dos juros diretores à luz da pressão no sector bancário.
Lagarde salientou hoje numa conferência com observadores do BCE em Frankfurt que "com a incerteza elevada, é ainda mais importante que o ritmo dos movimentos das taxas de juro seja dependente dos dados".
De acordo com os dados do Banco de Portugal 1,4 milhões de famílias têm crédito à habitação, num valor global de 103 mil milhões de euros de saldo em dívida, sendo que 93% das quais com contratos de taxa variável indexada à Euribor.