O presidente da Reserva Federal (Fed) assegurou hoje que não vai haver mais cortes na taxa de juro de referência “até que haja maior confiança quanto à evolução de forma sustentável da inflação para os 2%”.
Os analistas continuam a acreditar em três cortes dos juros na zona euro este ano apesar do recuo das expectativas do mercado, que aponta agora a apenas 60 pontos acumulados de descidas. Política monetária norte-americana irá ser tão determinante como dados da inflação e salários após junho.
O aumento esperado da taxa de juro implícita nos próximos anos poderá levar a um aumento cumulativo de 800 milhões de euros em despesas com juros entre 2023 e 2026, cenário que obriga a cautela na gestão das contas públicas, alertam os técnicos do BdP.
O elEconomista.es avança este sábado, que as taxas de juro poderão limitar-se a cair apenas meio ponto percentual em 2024, devido à trajetória incerta da inflação. Os dados do Eurostat, divulgados ontem, mostram uma subida de 0,2 pontos percentuais na inflação homóloga de maio na zona euro.
A agência de notação aponta que os juros elevados continuaram a ajudar os resultados dos bancos no primeiro trimestre do ano. Contudo, os analistas preveem que se mantenha a tendência de abrandamento.
“Há taxas de juros elevadíssimas e excesso de burocracia para quem quer começar uma atividade”, diz à Lusa o vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique-Portugal, Paulo Oliveira, à margem da XIX Conferência Anual do Setor Privado (CASP), que decorreu esta semana em Maputo.
A evolução positiva do bloco euro à custa dos países periféricos, incluindo Portugal, não deve desviar o BCE de cortes de juros em junho, reforçando a dependência dos dados a partir daí. Inflação core e nos serviços recuou em abril.
Se Trump vencer, Powell já não terá as mãos livres. Diz o “Wall Street Journal” que ele tem gente a preparar legislação a limitar a independência do banco central americano.
O cenário foi levantado em entrevista à Rádio Renascença, durante o programa 'Dúvidas Públicas'. "Acredito que acabaremos o ano com taxas de juro um pouco abaixo dos 3% e, depois, durante 2025, se aproximem mais dos 2,5%, mas de uma forma lenta", admitiu João Pedro Oliveira e Costa.
O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, considerou hoje que, perante as atuais circunstâncias, o Banco Central Europeu (BCE) tem condições para avançar com vários cortes nas taxas de juro este ano.
O Banco de Portugal detalha que a maior "fatia" diz respeito à cobrança indevida de comissões pela renegociação de contratos de crédito aos consumidores, com os bancos a terem de devolver mais de cinco milhões de euros.
Importa não esquecer que, para além das questões económicas, temos um ano de eleições na Europa e nos EUA, e que os bancos centrais mantêm o poder de influenciar os resultados.
O presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, confirmou hoje que haverá cortes nas taxas de juro nos próximos meses e rejeitou que estejam relacionados com questões políticas.
Na análise, o banco central mais antigo do mundo, sublinha que as expectativas de inflação "estão firmemente ancoradas" e que os aumentos salariais são moderados, embora o conselho de administração do Riksbank tenha defendido a necessidade de "mais confirmação" de que a inflação estabilizará perto do objetivo de 2%.
A inflação tem-se revelado mais persistente do que se esperava na maior economia do mundo, que vai mantendo, ainda assim, uma vitalidade assinalável. O mercado focar-se-á no 'dot plot' das projeções para os juros dos membros do banco central com os investidores cada vez mais inclinados para cortes em junho.
O desemprego tem estado perto de mínimos históricos na maioria das economias mais desenvolvidas, levando os bancos centrais a focarem-se sobretudo na inflação. Ainda assim, uma subida de 0,3 pontos percentuais no desemprego justificará três cortes seguidos de 25 pontos, avança o banco.
O banco central norte-americano decidirá "com cuidado e consideração" quando baixam as taxas de juro, uma decisão que será tomada quando houver a certeza que a inflação está a recuar de forma sustentada para 2%, indicou Powell, que falava numa audição na Câmara dos Representantes para explicar as decisões de política monetária.