Os países do Sul Global, ao tentarem proteger-se das sanções do Ocidente, estão a provocar mudanças estruturais na arquitectura financeira mundial e a provocar uma queda permanente de importância do dólar e do euro.
Na Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV emerge como um dos dirigentes mais lúcidos do espaço europeu contemporâneo. E é interessante notar que a sua postura converge de forma notável com a de Mario Draghi sobre a crise económica e política da UE.
Os BRICS não estão desarticulados por irrelevância. Foram-no por pressões externas e por fragilidades internas. As instituições existem. Mas o projecto político de alternativa sistémica perdeu membros, perdeu credibilidade e perdeu ritmo.
Sem uma vitória clara, ou pelo menos a noção de que uma das partes é a vencedora, as causas reais destes conflitos – Ucrânia e Golfo Pérsico – permanecerão lá, agravadas pela frustração resultante da falta de uma conclusão.
Desde 28 de fevereiro, início da guerra entre EUA e Israel e o Irão, o preço do ouro já perdeu cerca de 15%. Como o ouro não gera rendimento, torna-se menos atrativo face a ativos que podem oferecer juros mais elevados.
Há guerras que são travadas para não serem vencidas. Seja porque os objetivos são ambíguos e não se consegue definir o que é uma vitória militar ou relevá-la, ou ou porque o custo transcende o investimento feito, ou, ainda, porque se torna um combate impossível.
O ricochete das sanções veio a dar-se numa Europa a perder competitividade e emprego, a deslocalizar e a fechar empresas, sobretudo as mais consumidoras de energia.
Curgete e bacalhau foram os produtos que mais subiram, mas se o estreito de Ormuz continuar fechado, a crise de abastecimento de fertilizantes pode fazer disparar ainda mais os preços.
No processo de transformação das economias ocidentais, o conceito de PIB foi fundamental ao permitir, na sua tripla lógica de abordagem à quantificação da atividade económica, a introdução do conceito de circuito económico – que importa recuperar.
Robert Fisk, grande referência do jornalismo, foi correspondente estrangeiro para o Médio Oriente. Cultivou um imparcial ceticismo face a todas as partes, o que lhe granjeou tanta reputação como inveja e inimigos.
Há mudanças no ar, uma transformação que pode determinar alterações profundas na Ordem Internacional. Mas existe esperança de que haja coordenação entre os estados e que a transição para um mundo menos globalizado não signifique forçosamente o conflito.
Em 1936, Stefan Zweig encantou-se pelo Brasil, país que escolheu como exílio, Das suas viagens e demandas resultou este fascinante e multifacetado ensaio, cujo registo é, por vezes, mais próximo da reportagem.
A Europa e o seu povo sabem bem que são uma potência económica, um dos maiores mercados do mundo e que, com o investimento certo, poderá dar o salto em termos de defesa e poder geoestratégico.
Em Portugal, o ministro da Economia, Pedro Reis, é aposta para figura de 2025. Espera-se dele que crie os instrumentos para que a economia, sem desproteger o conjunto, se abra à novidade e à disrupção.
As boas notícias: a guerra à inflação estará vencida, e com custos económicos controlados, dando a entender que o pior já passou. Contudo, as incertezas de cariz geopolítico persistem e continuarão a marcar, pelo menos, o primeiro terço de 2025.
Perda de valores, grandes incertezas sobre o futuro, caos nas ideias, na política, nas relações internacionais, são 'qualificativos' estruturantes do Mundo de hoje.
Segue-se uma nova era, de incerteza, de adaptação forçada a uma nova realidade, que para alguns constituirá uma oportunidade, mas para muitos outros vai significar crise. Preparemo-nos.
As guerras modernas, impulsionadas por interesses, refletem a luta incessante por recursos e influência. É urgente um novo 'governance' global, um novo contracto social.
As instituições são importantes e moldam o curso das dimensões em que atuam. Mas é importante não esquecer que de dinamizadoras se podem transformar em bloqueadoras do progresso.