A pesquisa que o historiador Francisco Bairrão Ruivo fez para o filme “Projeto Global” resultou num livro com um olhar histórico sobre as FP-25 e o pós-revolução de Abril.
Podemos “dar muitas na ferradura”. Nem tudo foi nem é perfeito. E a possibilidade de criticar e exigir é talvez a maior conquista da democracia. 50 anos depois queremos mais e melhor. E batemo-nos por isso.
Entre chaimites e cravos, a emoção de quem vive em democracia. A palavra liberdade ecoou nas ruas de Portugal esta quinta-feira, para marcar o meio século do golpe militar que colocou um ponto final à ditadura do Estado Novo e à rendição passiva de Marcello Caetano. Veja as fotografias do dia em que Portugal voltou a sair à rua.
A evolução é clara: de 17% em 1974, a dívida pública atingiu um máximo de 135% em 2020, à boleia da Covid-19, estando agora abaixo de 100% pela primeira vez desde 2008. Esta subida foi, ainda assim, acompanhada de crescimento assinalável.
Há meio século os portugueses viviam a Revolução dos Cravos e hoje empunham cravos e gritam liberdade. Lá fora, a imprensa internacional dá conta das operações militares que acabaram com o regime autoritário.
"No dia 25 de abril foi onde conquistamos o direito de escolher, criar, construir o nosso futuro, quisemos no Governo estar ao lado de uma geração que nasceu, cresceu e está hoje a construir o futuro de Portugal não tendo vivido em tempos de opressão e onde não éramos todos iguais".
A porta-voz do PAN, que interveio em primeiro lugar nas comemorações parlamentares dos 25 Abril, falou contra a “ascensão de forças políticas que põem em causa os direitos humanos”.
A coordenadora do Bloco de Esquerda apontou o dedo às “carpideiras do salazarismo”, que “culpam a democracia e a Constituição pela pobreza que persistiu” ou pelo “amargo das promessas não cumpridas”.
O presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, defendeu que as comemorações do 25 de abril passem a incluir uma cerimónia solene dos cinquentenário do 25 de novembro.
A entoar 'Grândola, Vila Morena', o Presidente da República foi saindo do hemiciclo, acompanhado de Aguiar-Branco e Montenegro. Membros do Governo levantaram-se enquanto a esquerda cantava música de Zeca Afonso.
“A história faz-se de coragem e ações”, disse o presidente da Assembleia da República apontando também para Fernando dos Reis, Fernando Gesteiro, João Arruda e José Barnetto, as únicas vítimas mortais da Revolução, com familiares destes presentes no hemiciclo.
“Liberdade a sério é a liberdade igual para todos e não apenas para quem mais tem”, disse Pedro Nuno Santos na sessão comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril.
Durante o discurso, o Presidente recordou os seus primeiros momentos na casa da democracia após a revolução, e aproveitou para contextualizar a revolução de abril feita pelos militares.
A jovem deputada do PSD foi a escolhida para discursar na Assembleia da República durante as comemorações do 25 de abril, num discurso onde referiu que ainda há um Portugal por fazer.
"O Presidente traiu os portugueses, quando diz que temos de ser culpados e responsabilizados pela nossa história, o senhor Presidente foi eleito pelos portugueses, é a eles que tem de respeitar antes de tudo", declarou André Ventura.
O presidente da República condecorou na quarta-feira o Movimento das Forças Armadas (MFA), a título póstumo, com o grau de membro honorário da Ordem da Liberdade durante um jantar comemorativo do 25 de Abril.
“Hoje, vivemos tempos de incerteza e enorme preocupação, no que respeita a esses valores – Liberdade, Paz, Democracia, Justiça, Igualdade”, diz em mensagem para este dia a Associação 25 de Abril, a entidade fundada pelos protagonistas da Revolução dos Cravos.
Uma réplica da coluna comandada pelo capitão Salgueiro Maia, que há 50 anos saiu de Santarém rumo a Lisboa, chega ao Terreiro do Paço a tempo de desfilar perante Marcelo Rebelo de Sousa e restantes entidades.
Mas um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e a Universidade de Saint Gallen revela que, ao comemorar 50 anos de democracia, o país enfrenta desafios nas mais diversas áreas, entre elas na saúde, investimento, produtividade e habitação.
O representante da República, Ireneu Barreto, diz que se "revê integralmente" no diploma referente às comemorações dos 50 anos da autonomia da Madeira, mas alerta que a concretização das comemorações "acarreta a realização de despesas públicas não previamente orçamentadas".