“Problemas não se resolvem “com mais liberalismo” nem com “populismo”, defendeu Pedro Nuno Santos

“Liberdade a sério é a liberdade igual para todos e não apenas para quem mais tem”, disse Pedro Nuno Santos na sessão comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril.

“Problemas não se resolvem “com mais liberalismo” nem com “populismo”, defendeu Pedro Nuno Santos
Pedro Nuno Santos, Ministério das Infraestruturas e Habitação. Foto: Oficial Governo

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, fez uma defesa da revolução de 25 de Abril de 1974 como responsável da construção de “uma democracia plena”, a nível económico, social e político, “onde os problemas de uns passaram a ser os problemas de todos”.

Reconhecendo que a “concretização dos sonhos de Abril é um trabalho imperfeito e inacabado”, Pedro Nuno Santos criticou “políticas fiscais injustas, que desoneram quem mais tem e menos precisa”, e mencionou o “desafio enorme” do acolhimento dos imigrantes e de consolidar os direitos e liberdades de mulheres e de minorias sexuais. “

Num discurso muito dirigido à extrema-direita, Pedro Nuno Santos disse que “os portugueses conquistaram o direito a amar quem querem e como se sentem” e que “Abril não proíbe nenhuma família, é liberdade e alegria.”

O secretário-geral do PS disse também que “as mulheres libertaram-se e emanciparam-se” com o 25 de Abril e avisou os saudosistas. “A partilha do poder e o fim da hegemonia do homem gera receio. Mas já não há recuo possível, as mulheres já conquistaram o direito a perseguir os seus sonhos”, disse.

Os problemas não se resolvem, frisou, “com mais liberalismo e um Estado ao serviço da minoria”. “Um liberalismo que se alimenta de um individualismo egoísta e só garante liberdade a uma minoria – ao mesmo tempo que desprotege a grande maioria. Liberdade a sério é a liberdade igual para todos e não apenas para quem mais tem”, disse.

Depois, virou-se para quem quer resolver problemas “com políticas fiscais injustas, que desoneraram quem mais tem e menos precisa e que reduz a capacidade do Estado para dar resposta às necessidades sociais, para dar mais liberdade à maioria do povo”, disse.

Nesta parte, a seguir, falou do populismo “com uma política que explora os nossos sentimentos mais negativos, uma política dura com os fracos porque lhe falta a coragem para ser dura com os fortes, e que se alimenta da angústia e da incerteza vivida pelo povo, tantas vezes fruto das rápidas mudanças sociais e culturais”.

Para Pedro Nuno Santos, com o 25 de Abril “os portugueses agarraram-se a uma ideia de país”, ainda que não esteja acabar. “As portas que Abril abriu transformaram um Estado repressivo num Estado de direito democrático e social. É verdade que a concretização dos sonhos de abril é um trabalho imperfeito e ainda inacabado. Mas os portugueses venceram!”, disse o líder socialista, que começou o discurso com uma referência aos militares de Abril, que levantou grande parte do Parlamento numa ovação de pé com os deputados socialistas virados para a galeria onde estão os representantes dos antigos capitães.

Relacionado

Aguiar-Branco convoca conferência de líderes para 5.ª feira para decidir data da moção de censura do Chega

Aguiar-Branco convoca conferência de líderes para 5.ª feira para decidir data da moção de censura do Chega

“Quero avaliar com os líderes parlamentares a definição da data a partir da qual se devem contar os três dias para efeitos de levar à discussão na Assembleia da República”, afirmou José Pedro Aguiar-Branco, em declarações aos jornalistas nos Açores, uma vez que a moção de censura deu entrada “num período de interrupção dos trabalhos parlamentares”
Chega ameaça Governo com moção de censura, PS afasta e IL apela à estabilidade

Chega ameaça Governo com moção de censura, PS afasta e IL apela à estabilidade

Bianca Marques28 Ago
O Chega admite avançar já na próxima semana com uma moção de censura ao Governo, aumentando a pressão sobre o executivo. Apesar da iniciativa, a aprovação do texto é, para já, considerada pouco provável, com o PS a afastar o cenário, a Iniciativa Liberal a defender estabilidade política e o PCP a não excluir o recurso aos instrumentos parlamentares disponíveis.
Arte e política

Arte e política

O vazio político que se vive neste tempo, procura alienar os artistas da sua liberdade de criação, e da sua expressão particular de luta, não sujeita ao consumo nem ao sistema; nem tão pouco a aprisionamentos de qualquer espécie, dando expressão às necessidades do Homem e da humanidade, promovendo a transformação social face à miséria cultural e social a que se assiste.