“Os governos em Portugal têm tão pouco bom senso como os sindicatos alemães”, diz Ryanair

Companhia volta a defender abertura do aeroporto do Montijo e critica aposta em Alcochete. E confirma fim de voos para os Açores devido a impostos ambientais.

“Os governos em Portugal têm tão pouco bom senso como os sindicatos alemães”, diz Ryanair
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O presidente da Ryanair deixou esta quarta-feira críticas aos últimos governos em Portugal, considerando errada a sua estratégia de apostar no aeroporto de Alcochete.

“Tenho tido contactos frequentes com os últimos 3/4 governos portugueses e têm tão pouco bom senso como os sindicatos alemães, e estes [sindicatos] são idiotas”, disse esta quarta-feira Michael O’Leary em conferência de imprensa em Lisboa.

Com o atual ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz, reuniu-se pela última vez há um ano, com o governante a congratular-se com o novo aeroporto e o novo comboio, segundo o gestor que disse ter respondido: “‘Porque é que não constroem ao Montijo e poupam milhões aos contribuintes?'”.

“Estão obcecados em proteger a TAP. A capacidade de Lisboa pode ser aumentada para 35 milhões de passageiros. Aumentem a capacidade do terminal 2, basta construir mais um barracão”, afirmou no encontro desta quarta-feira.

O gestor voltou a defender a abertura de um aeroporto na base aérea do Montijo. “Vocês têm um aeroporto no centro” da grande Lisboa. “Todas as cidades matariam para ter um segundo aeroporto assim”.

“Parem de sonhar com Alcochete que vai falhar e que nunca vai acontecer no meu tempo de vida”, disse.

“Abram o Montijo. Podem por algo tipo terminal 2 de Lisboa no Montijo por menos de 20 milhões de euros. O aeroporto já existe lá”, defendeu.

A companhia anunciou hoje quatro novas rotas para Portugal: Faro-Varsóvia, e do Porto para Gotemburgo, Rabat e Varsóvia, criticando a impossibilidade de acrescentar mais voos no aeroporto de Lisboa.

Com 24 aviões em Faro e Porto, 12 em cada, e apenas 4 em Lisboa,  a companhia celta de baixo custo opera 160 rotas para Portugal.

A empresa confirmou a sua saída dos Açores este ano: “Não vamos manter rotas para os Açores. O custo de aterrar é muito elevado, devia ser grátis”.

Michael O’Leary criticou os impostos ambientais sobre as viagens europeias. “Só taxam os voos na Europa, os voos intercontinentais não são taxados. Uma família viaja para os Açores e paga 96 euros de ETS. Se voarem para Rabat, ficam isentos. O Donald Trump aterra na Europa e não paga ETS. Mataram os Açores”.

Os ETS são créditos de carbono comprados pelas companhias aéreas pela sua poluição, com os custos depois a serem repassados para os clientes que compram viagens. “Uma família de 4 em Bruxelas paga 96 euros de ETS para voar para as ilhas gregas, mas se for para a Turquia paga zero”, exemplificou apontando que somente as viagens na Europa são abrangidas. “A Europa inventa impostos estúpidos”.

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