João Currito, Partner, Voltarion

O paradigma nacional dos baixos salários está esgotado!

É fácil entender que sem pessoas disponíveis, qualificadas, capacitadas e comprometidas com as empresas, estas não conseguem criar a capacidade para aproveitar as oportunidades de crescimento existentes.

Pessoas, Competências e Desempenho

Das minhas múltiplas conversas com líderes empresariais, há dois temas que, recorrentemente, estão nas preocupações e prioridades dos gestores das nossas maiores empresas: Growth (necessidade) e Recursos (escassez).

Se é verdade que a economia portuguesa está a crescer, e que as organizações estão a tentar alavancar esse crescimento aproveitando as oportunidades que se lhes apresentam, por outro lado os recursos (e aqui vamos focar-nos especificamente nos recursos humanos!) são atualmente escassos, e um verdadeiro inibidor do crescimento organizacional, e consequentemente, do negócio. É fácil entender que sem pessoas disponíveis, qualificadas, capacitadas e comprometidas com as empresas, estas não conseguem criar a capacidade para aproveitar as oportunidades de crescimento existentes.

A criação de valor nas empresas exige agilidade, rapidez, gestão detalhada e focada, e acima de tudo, uma responsabilização de cada nível organizacional para a criação desse valor. E quando se cria mais valor, há mais capacidade de distribuí-lo, e assim remunerar melhor os recursos nas organizações.

Na atual conjuntura de mercado pós pandémico e inflacionista, deixou de haver pessoas amplamente disponíveis para se recrutar. A falta da oferta e a inflação põem sob pressão a massa salarial das empresas, e a rotação tem vindo a aumentar significativamente.

Está claro, que o paradigma nacional dos baixos salários está esgotado!

Na atual conjuntura, se as empresas aceitarem pagar mais aos novos recrutados, sem fazer o mesmo quem já está na organização, criam tensões inevitáveis que a prazo poderão ter efeitos muito sérios na paz e tranquilidade organizacional. Esta realidade coloca a maioria dos líderes empresariais perante um problema complexo.

Não podendo aumentar indiscriminadamente a massa salarial (tipicamente a dois dígitos!) de forma a acompanhar o mercado, As empresas precisam necessariamente de aumentar os melhores, para que estes se mantenham nas organizações. Se não o fizerem, o mercado irá recruta-los, e naturalmente vão perder capacidade de produção.

Alguns empresários de alguns setores económicos, ainda tentam insistentemente aumentar a oferta de recursos baratos, nomeadamente com recurso à imigração. Mas essa também não é uma solução sustentável a prazo!

Assim, o caminho passa por desenvolver as competências dos recursos já existentes nas organizações. E para começar, é trabalhar de forma prioritária o middle management. Os líderes intermédios (chefes de equipa, supervisores, coordenadores), aqueles que efetivamente são os responsáveis pelo pulsar dos negócios. São esses líderes que no dia a dia, lideram e coordenam as equipas no terreno E que executam e entregam o trabalho. São eles os verdadeiros responsáveis pela eficiência e produtividade.

Identificar o talento interno, desenvolver as suas competências de liderança e gestão de forma casuística, definir metas de desempenho por área alinhando com toda a organização às necessidades e objetivos do negócio. Montar planos individualizados de desenvolvimento, e entrega de objetivos vai permitir fomentar a meritocracia, motivar os recursos e consequentemente criar mais valor. E quem se desenvolver mais e melhor, e criar mais valor para a organização, será premiado de forma estruturada, transparente e justa.

Os que melhor se desenvolverem e gerarem mais valor para o negócio irão ser melhor remunerados, e abrirão portas para o crescimento interno e meritocrático.

As premissas para que esta iniciativa resulte é simples:

  1. Alinhamento organizacional – regras e responsabilidade claras de cada área na organização
  2. Comunicação transparente e clara sobre expetativas e metas a atingir por área na contribuição para o negócio como um todo
  3. Avaliação justa, quantificada e transparente de cada recurso da organização
  4. Elaboração de um plano de desenvolvimento individual, com capacitação no terreno, acompanhado e monitorizado no tempo
  5. Sistema de gestão de desempenho capilar (por área de negócio / equipa / etc., levada até ao nível de cada líder), transparente e quantificado e alinhado com as metas a atingir pelo negócio

Com estas premissas cobertas, as empresas vão conseguir desenvolver o talento existente de forma meritocrática, contribuindo para a sua valorização a prazo, compromisso e criação de valor. Se calhar, a resposta prioritária aos principais problemas de necessidade de crescimento (Growth), e da escassez de Recursos (Humanos) estão mesmo dentro de casa! As nossas empresas e a economia agradecem…

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