As férias caseiras de muitas famílias são consequência dos baixos salários em Portugal. Incluindo no setor do turismo, que, apesar do extraordinário crescimento dos últimos anos, oferece salários 25% abaixo da média nacional.
As questões imediatas não nos devem fazer esquecer o mais importante: a necessidade de crescimento estrutural, mais em qualidade do que em quantidade, como até aqui.
Filipe Charters de Azevedo, presidente da Associação Portuguesa de Contribuintes (APC), falou com o JE sobre a Segurança Social, um tema que será "talvez o mais importante da nossa geração".
O paradigma de desenvolvimento do país não pode ter por base a manutenção de níveis salariais baixos, mas sim na necessidade de investir na produção de elevado valor acrescentado.
Existe uma correlação entre a incidência da ansiedade e a precaridade do trabalho. Trabalhos com salários baixos, de vínculo incerto e sem proteção adequada, aumentam a ansiedade.
Portugal tem uma carga fiscal abaixo da média da União Europeia. Porém, os portugueses sofrem o 4.º maior esforço fiscal, devido aos baixos rendimentos.
Esclarecedor seria discutir como alterar o paradigma fundamental do desenvolvimento do país, assente na lógica dos baixos salários e na produção de baixo valor acrescentado.
Após uma primeira apreciação à proposta de OE, a primeira reação é de “preocupação”. Palavra usada pelo próprio ministro das Finanças quando tentava convencer-nos da bondade do documento.
O líder da Federação de Sindicatos da Administração Pública mostra abertura para continuar a negociar com o Governo e alerta para o uso das ajudas de custo no sector privado.
Um arrendamento viável e a compra casa têm de deixar de ser um sonho distante para os nossos jovens, pois ninguém tem de ser escravo de pagar uma casa e não conseguir fazer mais nada.
É fácil entender que sem pessoas disponíveis, qualificadas, capacitadas e comprometidas com as empresas, estas não conseguem criar a capacidade para aproveitar as oportunidades de crescimento existentes.
Marcelo Rebelo de Sousa falava no antigo picadeiro real, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, durante uma sessão com representantes de empresas subscritoras do "Pacto mais e melhores empregos para os jovens" promovido pela Fundação José Neves e pelo Governo, iniciativa que tem o seu alto patrocínio.
Façam as leituras que entendam, mas o novo cenário de previsões do FMI distancia-nos da convergência europeia e traz, também, reflexos muito negativos no défice orçamental.
No contexto português, de baixíssimos salários, a mensagem de um programa como aquele que é proposto pela Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas para os trabalhadores portugueses só pode ser uma: “Pobres, mas Felizes!”
Todas estas medidas vão no sentido certo, mas ainda não resolvem os problemas estruturais do mercado de trabalho português. Mas o primeiro passo está dado.
Somos um país de pobres e isso é um verdadeiro constrangimento, que se propaga a várias dimensões da vida dos indivíduos, de que a habitação é apenas um exemplo.
Os novos protestos, da “Vida Justa”, decorrem de dois problemas estruturais, a orfandade política e a estagnação económica de mais de duas décadas, agravados pela conjuntura, muito difícil para os mais pobres.
Na vertigem de progresso e de desenvolvimento, fomos certamente deixando assuntos por tratar. O interior desertificou-se, o novo não recuperou o antigo, os nossos territórios foram sendo abandonados...