O país aprecia cidadãos moderados, em particular, em posições de liderança, acreditando que, através da moderação, possam promover reformas e uma evolução serena e positiva das suas organizações.
A razão mais plausível para esta preferência, reside, certamente, no perfil maioritário dos cidadãos do nosso país, que não têm simpatia por posições extremistas e radicais, preferindo evoluções reformistas.
Não é, pois, de estranhar, que os candidatos a posições de liderança, política, social, administrativa ou empresarial, se apresentem, sistematicamente, como moderados.
Assiste-se, assim, sempre, com surpresa, à evolução destes moderados para posições radicais, pondo, teoricamente, em causa, a conquista ou permanência nos lugares de liderança, para os quais concorrem ou ocupam recentemente.
A explicação para esta evolução, aparentemente contraditória, é, em minha opinião, simples, de acordo com vários casos que acompanhei com alguma proximidade, na área política e empresarial.
A evolução para posições extremistas tem, em regra, por base, problemas de insegurança dos novos líderes, nas suas novas funções, e o terror à concorrência, que aumenta exponencialmente, e que pode possibilitar a sua substituição num curto espaço de tempo.
Estamos, em geral, na presença de indivíduos que atingiram o “princípio de Peter” e que não reúnem, por conseguinte, as competências necessárias às novas funções de liderança.
Em grande maioria de casos, vem ao de cima a fragilidade das suas formações académicas de base, com cursos de pouca exigência intelectual, obtidos em instituições de ensino superior de qualidade mediana, e um percurso profissional mediano, sem grande escrutínio e realizado sob protecção partidária ou de grupos de interesses específicos.
Esta evolução dos moderados para o radicalismo, costuma dar mau resultado, com o novel líder a sair pela porta pequena, num prazo mais curto do que o expectável, sendo para mim um enigma, a sua repetição generalizada.
Em contrapartida, se o moderado mantivesse o seu estilo inicial, mesmo que não atingisse o pico da sua ambição, seria, sempre, respeitado pelos seus pares, e muito provavelmente, mais útil ao país.
Por muitos anos que viva, nunca conseguirei compreender este comportamento bizarro e irracional.