Marcus Vinícius De Freitas, Professor Visitante, China Foreign Affairs University e Senior Fellow, Policy Center for the New South

O Ocidente se perdeu

Enquanto a Ásia discute como incrementar a renda per capita, o Ocidente ignora a premência de incrementar a competitividade, produtividade e qualidade de vida e educação.

Durante os últimos cinco séculos, o Ocidente exerceu um papel fundamental na governança global. Foi responsável por grandes descobertas, novas tecnologias e a formatação de uma ordem mundial baseada no império da lei. A humanidade evoluiu substancialmente, com o mundo atingindo um nível de prosperidade sem precedentes.

No entanto, sem que pesem estas importantes contribuições do Ocidente, o alemão, Oswald Spengler, antevendo o futuro, publicou, em 1923, “O Declínio do Ocidente”, onde antecipava uma perda de vitalidade cultural do Ocidente e a fatídica decadência, comparando este declínio à queda de civilizações como Egito, Grécia e Roma. Civilizações ascendem e declinam. Tudo é uma questão de tempo. E os melhores dias do Ocidente já são parte do passado.

O Ocidente tem tentado manter-se relevante neste processo. Criou instituições que, de alguma forma, congelaram o processo de evolução da sociedade global. Criou-se, por exemplo, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que reflete uma ordem mundial de sete décadas atrás.

No entanto, esta tentativa não tem impedido o ritmo de avanço do Oriente. A Ásia, particularmente a China, tem liderado o processo de transferência do eixo global do Atlântico para o Pacífico. Paulatinamente, observamos a Ásia assumir um papel cada vez mais significativo e de liderança na economia, política e cultura global.

O crescimento econômico levou a uma industrialização substancial da Ásia, incrementando a inovação, por meio de avanços significativos em tecnologia, particularmente na indústria eletrônica, robótica e de inteligência artificial. A Ásia se tornou essencial nas cadeias de abastecimento global.

Este novo papel aumentou, substancialmente, a relevância diplomática e geopolítica dos países asiáticos, impactando, inclusive, a vida cultural global. E logrou, ainda, melhorar substancialmente a qualidade de vida daquela região do mundo.

Enquanto a Ásia discute como incrementar a renda per capita, o Ocidente ignora a premência de incrementar a competitividade, produtividade e qualidade de vida e educação. Enquanto a Ásia discute Inteligência Artificial e Inovação Energética, o Ocidente enfrenta enormes desafios relacionados a guerras e a lideranças políticas desqualificadas para os enormes desafios do século XXI.

O Ocidente se perdeu. Não se sabe ainda se foi por preguiça, arrogância ou desídia. Conseguirá reverter? Só o tempo dirá.

Relacionado

Estudo da CGI diz que aceleração tecnológica e digital é a macrotendência com maior impacto para gestores mundiais

Estudo da CGI diz que aceleração tecnológica e digital é a macrotendência com maior impacto para gestores mundiais

Maria Teixeira Alves2 Set
O relatório global, divulgado esta quarta-feira, 2 de setembro, baseia-se em entrevistas independentes a mais de 1.800 executivos das áreas de negócio e tecnológica — a maioria em cargos de direção —, identificando uma clara viragem do mercado rumo à engenharia e reengenharia digital para viabilizar e expandir o uso da IA.
PwC prevê que capex de infraestruturas de IA atinja os 31,6 biliões até 2050

PwC prevê que capex de infraestruturas de IA atinja os 31,6 biliões até 2050

Ruben Pires2 Set
Os Estados Unidos absorvem 48% do total das despesas de investimento (capex) ligadas a infraestruturas de IA, o equivalente a 15,1 biliões de dólares (13 biliões de euros), estima a consultora PwC. O relatório prevê que anualmente o investimento em infraestruturas de centros de dados passe de cerca de 800 mil milhões de dólares (690,8 mil milhões de euros) em 2026 para 1,8 biliões de dólares (1,5 biliões de euros) em 2050.