Estará a Europa com capacidade, neste novo contexto, de dar mais um salto na afirmação da sua autonomia económica e estratégica e afirmar-se como um ator e um polo de influência global?
A ligação entre os dois lados do Atlântico assenta na história, mas também nas ideias, e tudo tem de ser repensado quando estas deixam de ser partilhadas.
Trump vai fazendo avançar a sua agenda através da contundência e do absurdo. É uma forma de atuação por vezes balbuciante, por vezes agressiva, mas eficaz em desorientar quem ainda procura pontes num tabuleiro que ele próprio se esforça por desorganizar.
Trump continuará ancorado na sua perspetiva de líder mundial, olhando com desdém para todos os outros continentes e países. Mas todas as outras partes que constituem a ordem internacional têm alternativa a essa centralidade e podem relativizar o seu impacto.
No que toca à OMC, Trump continuou o “trabalho” de Joe Biden, mantendo a organização paralisada. Isto constitui uma “janela de oportunidades” para os EUA, pois permite à administração não cumprir regras fundamentais e processuais de funcionamento do comércio internacional.
Carlos Tavares dissecou a atualidade geopolítica, avisando que a “nova ordem mundial” está a provocar o acelerar da China rumo à “futura dominação” global. Sobre este “jardim à beira mar plantado”, é preciso ser tratado “todos os dias”.
A mensagem de Xi Jinping foi muito clara: desenha-se um novo modelo de multilateralismo, o “espírito de Xangai”, num período de tensões geoestratégicas e comerciais. Uma outra globalização, na qual Pequim tenta impôr-se como pivô.
A América não perdeu o poder militar nem a capacidade financeira, mas perdeu a narrativa. E é essa narrativa que hoje a China oferece ao mundo: a promessa de desenvolvimento, de respeito pela soberania e de presença constante, sem exigências e interferências políticas.
Washington insiste em preservar a hegemonia, num vale-tudo, num mundo que já não existe, enquanto a Europa, sem projeto próprio, arrisca tornar-se mero apêndice de um sistema em transformação.
Para ser um 'grande actor' na nova ordem mundial, a Europa terá de ultrapassar o modelo da Europa das Nações, substituindo-o por um modelo federal. Difícil, sim, mas inevitável.
Enquanto a Ásia discute como incrementar a renda per capita, o Ocidente ignora a premência de incrementar a competitividade, produtividade e qualidade de vida e educação.
O caminho parece ser um alargamento equilibrado que reforce qualitativamente o seu peso no Mundo, no sentido de construir a Nova Ordem Internacional que promova uma participação mais equitativa.
A Europa iniciou um esforço para conseguir diversificar a origem do gás natural de que tem necessidade. E esse esforço provocou a subida dos preços do gás natural nos mercados internacionais, porque a concorrência aumentou.
Estamos perante uma complexa equação que importa resolver rapidamente. É o futuro da Europa, como projecto e como realidade que nos pode garantir a paz, que está em causa.