Transparência salarial: metade das empresas da UE podem cumprir diretiva

Apesar desta melhoria, o estudo mostra que embora 77% das organizações estejam a desenvolver ou já tenham desenvolvido estratégias e planos para a transparência salarial, apenas 14% implementou plenamente essa abordagem em toda a organização.

Transparência salarial: metade das empresas da UE podem cumprir diretiva
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As empresas dos estados-membros da União Europeia (UE) têm até junho para implementar a uma estratégia de transparência salarial, de forma a cumprir com a diretiva da UE. Um estudo da Mercer, revelou que o nível de preparação das empresas para cumprir esta diretiva aumentou de 32% em 2024 para 50% em 2025.

Apesar desta melhoria, o estudo mostra que embora 77% das organizações estejam a desenvolver ou já tenham desenvolvido estratégias e planos para a transparência salarial, apenas 14% implementou plenamente essa abordagem em toda a organização.

O estudo revela que há disparidades regionais significativas, com as empresas sediadas nos países nórdicos, Estados Unidos e Canadá a liderarem em termos de preparação, enquanto no Reino Unido, Ásia e Pacífico estão menos preparadas. Já na Europa, apenas 9% das empresas afirmam que a sua estratégia está totalmente implementada.

Marta Dias, rewards leader da Mercer Portugal, afirma que “embora muitas empresas estejam focadas no cumprimento dos requisitos legais, um número crescente está a adotar a transparência salarial como um impulsionador para desenvolver os seus processos de recursos humanos incluindo a revisão/ definição da arquitetura funcional ou a criação de estruturas salariais mais claras, promovendo uma cultura de mais confiança nos colaboradores e candidatos”.

“A nossa experiência mostra que, quando as organizações investem em mais transparência e em mais equidade os resultados que obtêm podem ser transformadores numa perspetiva de cultura e confiança, mas também incluindo alguns fatores objetivos como a redução da rotatividade, processos de recrutamento mais rápidos e ganhos de produtividade”, salienta.

Em Portugal, a realidade demonstra que a percentagem de empresas que trabalham ativamente sobre este assunto aumentou de 59% para 72%. Uma evolução que reflete uma mudança de paradigma, em que a transparência salarial deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a constituir uma ferramenta estratégica para a gestão de pessoa e para a competitividade organizacional.

Contudo ainda há desafios para as empresas, principalmente no que toca à falta de conhecimento. O estudo mostra que quatro em cada dez empresas admitem ter apenas uma noção básica de transparência salarial. Das empresas que já trabalham este tema, 52% afirma possuir uma familiaridade “moderada” com o tema.

João Pacheco, pay equity and transparency expert da Mercer Portugal, refere que “a transparência salarial está a ganhar terreno em Portugal, com as organizações a reconhecerem a sua importância para o futuro do trabalho. No entanto, é essencial que as empresas invistam numa arquitetura funcional e processos robustos, de modo a prepararem-se para a nova legislação e, sobretudo, a promover ambientes de trabalho mais justos, equitativos e competitivos”.

O estudo revela ainda que as expectativas dos colaboradores e candidatos sobre este tema estão a evoluir.

Para além de responder a uma diretiva a transparência salarial é cada vez mais uma questão crítica de reputação, impulsionada pela maior partilha e acesso à informação.

“À medida que as organizações enfrentam o panorama em evolução da transparência salarial, aquelas que mais progridem não são necessariamente as que dispõem dos maiores orçamentos ou da tecnologia mais avançada”, comenta Marta Dias

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