Hoje, a soberania joga-se no ar, em terra e no mar, com sistemas não tripulados que redefinem o poder. Ignorar o cluster industrial emergente é abdicar da nossa relevância num mundo em convulsão.
Desde 1974, vive-se na espuma dos dias sem qualquer visão estratégica... sintoma disto é a evolução e o contributo do stock de capital para o PIB que tem apresentado valores cada vez mais baixos e até negativos nos últimos anos.
Será a liderança na administração pública capaz de gerir as pessoas com empatia e visão estratégica, ou está apenas a responder a uma lógica de 'compliance', sufocada por uma burocracia que dificulta qualquer tentativa de inovação?
Chegados aqui, ficámos sem perceber que visão têm as diferentes forças para o caminho que devemos seguir, em conjunto, que objetivos propõem que sejam atingidos e que passos devemos dar para os alcançar.
Para mim, tentar fazer política sem ideologia é o mesmo que tentar fazer economia só com contabilidade – falta a visão estratégica condutora da actividade.
Não existe projeto estratégico para Portugal que não seja produzido em Bruxelas. E, pior ainda, não existe ambição de ter peso real dentro da União Europeia.
Urge estabelecer um Pacto Social para o Crescimento que contribua para inverter a tendência de mais longo prazo que se vem afirmando na economia portuguesa para a estagnação e para a especialização de baixo valor acrescentado.
A conjuntura empresarial vai-se aguentando, mas nota-se que falta um élan propulsor concreto do desenvolvimento sustentado, da parte do Governo, da Oposição e também dos próprios agentes empresariais.
Os líderes têm de entender que a liderança tradicional, baseada em hierarquia e controlo, pode não ser eficaz no atual contexto. Hoje, a liderança deve ser mais flexível e ágil, e inspiradora.
Não interessa neste momento se o PSD ou a IL vão em coligação ou não. O que interessa agora é propor aos portugueses rapidamente uma ideia estratégica, socialmente consensual, realista, que represente um grande avanço.
Faltam políticos de qualidade em Portugal, e na Europa também, que possam ter a visão estratégica e o golpe de asa para conseguirem guindar o país a um patamar de abundância, de respeito cívico, de desenvolvimento.
Estamos perante uma complexa equação que importa resolver rapidamente. É o futuro da Europa, como projecto e como realidade que nos pode garantir a paz, que está em causa.
Que tem faltado uma visão estratégica de suporte na qual estejam enunciados desígnios claros e uma articulação e coordenação entre os interesses públicos e privados, penso que estaremos de acordo.
A humildade não faz parte da natureza de possidentes, novos-ricos e pseudo-estadistas portugueses. Como escreveu Eduardo Lourenço sobre os portugueses, é tudo aparência.
É tempo de se reverem prioridades e abordagens, bem como de atualizar o ensino, nos métodos, nos processos e nos conteúdos. É uma questão de se apostar na ação estratégica e não na reação.