Não me parece que o cenário de eleições antecipadas tenha qualquer espécie de viabilidade, e a prioridade deve ser dada à estabilidade política por pelo menos mais um ano.
Às vezes há situações que, tendo pouco em comum em termos de materialidade, se assemelham em termos de processo. Caso da negociação do acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão e a discussão do pacote laboral.
Seguro representa um projecto de reafirmação dos princípios fundamentais que definem os sistemas democráticos desde a Revolução Francesa. Ventura assume uma orientação securitária e autoritária, em conflito aberto com a ordem constitucional vigente. Foi essa diferença de valores que pesou no apoio dos demais candidatos a Seguro.
Antes de participar numa ação de campanha em Vila Verde, no distrito de Braga, André Ventura considerou que o programa de apoios anunciado hoje pelo Governo é “um falhanço em toda a linha da parte do Governo”.
Embora não governe, o Presidente da República deverá ser capaz de ajudar a resolver crises internas e externas, ter sentido de Estado e vontade de construir pontes. Deverá ser fator de consenso e não de desestabilização.
A sondagem da Universidade Católica para a RTP coloca António José Seguro e André Ventura à frente nas intenções de voto das eleições presidenciais do próximo domingo.
Episódios dramáticos, mediatizados, são um catalisador eleitoral. Olhem para dois casos muito caros aos populistas, o de Jair Bolsonaro, alvo de um ataque com faca em plena campanha, e Donald Trump, que escapou a uma tentativa de assassinato a tiro para reconquistar a Casa Branca.
Primeiras reuniões sobre o Orçamento do Estado arrancaram esta quarta-feira. O Chega abre a porta à viabilização e pressiona o Executivo a ser parceiro preferencial nas negociações. Quer menos impostos e aumento de pensões, entre outras condições para aprovar o documento. O Livre e a IL também foram ouvidos. O Governo assegura que vai "negociar com todos os grupos parlamentares" sem qualquer "lógica de preferência".
O primeiro-ministro não deverá perder de vista que não está em causa apenas a governação dos próximos quatro anos, mas a definição do mapa político da próxima década.
Há uma terrível falta de ambição política no ar, o medo de perder esmaga qualquer vontade de mudança, não há uma única ideia mobilizadora capaz de iniciar o desmame do Estado.
Ninguém receava o vizinho do Bangladesh até o dia em que alguém vociferou que era ele a causa dos seus medos. Não importa se era o caso. Importa que sirva o propósito.
“Se o Governo, se o grupo parlamentar do PSD quiser verdadeiramente avançar - mas não é a fingir, é verdadeiramente avançar - com um confisco de bens nos casos de corrupção e crime económico, um confisco rápido, preventivo ou antecipado, que evite recursos excessivos, não precisam de fazer mais. Contam connosco, porque sempre contaram quando era preciso trabalhar contra a corrupção”, afirmou André Ventura.
A decisão de Cotrim Figueiredo ofereceu a possibilidade a André Ventura de ocupar o lugar à direita do PSD e de pressionar os democratas a venderem convicções em nome do poder.
O líder do Chega propôs hoje a proibição de importações para a União Europeia de produtos provenientes de países que violem os direitos humanos, e a deportação de imigrantes ilegais.
Falta ver o novo governo, rostos e estilos, porque há muito problema para resolver. Com acção, mas, obrigatoriamente nestes novos tempos, com muito diálogo.
A estratégia da AD de fechar a porta a um acordo com o Chega produziu resultados, juntamente com o recentramento do partido e intervenções cirúrgicas, que visaram tirar oxigénio ao partido de Ventura, ainda que correndo o risco de perder votos ao centro.
Ventura arrisca-se a ficar numa situação em que obtém um resultado histórico mas não consegue fazer nada com ele, tornando inúteis os votos no Chega. É de esperar que nas próximas semanas a AD carregue na tese do voto útil à direita e o Chega jogue na defensiva, tentando convencer o seu eleitorado que qualquer solução de governo da AD terá de contar com o seu apoio.
Luís Montenegro ou faz oposição acérrima ao Governo de Costa e lidera o espaço político do centro- direita, ou esse lugar está irremediavelmente perdido a favor de Ventura.