A nova batalha industrial europeia já começou. E a grande ironia deste momento é que uma parte importante da reindustrialização europeia poderá acabar por chegar… vinda da própria China.
A reindustrialização exigirá muito mais do que tarifas ou discursos políticos. Exigirá estabilidade política, segurança pública, educação e um forte incentivo à competitividade e à produtividade.
A Europa quer simultaneamente liderar a transição climática e reindustrializar a sua economia. Nem sempre, porém, estes dois objetivos caminham na mesma direção.
O futuro está na eletrificação e Portugal tem uma vantagem natural para responder ao desafio, graças à energia renovável que consegue produzir, mais barata do que a média europeia.
O problema é estrutural. E não pode deixar de ser entendido como expressão de uma cultura política que se instalou e que tem negligenciado, sistematicamente, aquilo que devia ser uma preocupação maior do Estado: zelar pela segurança e coesão da Comunidade.
O dinheiro aplicado na reconstrução da Ucrânia deve alimentar a consolidação da autonomia estratégica europeia. É aqui que a agenda da defesa ganha tração.
Como a exportação de ideias sempre foi a maior força dos EUA, elas farão caminho até chegar à UE. Se a UE retaliar sem abrir pontes, o vírus do isolamento vai instalar-se.
A reindustrialização europeia deverá ganhar um novo impulso com a eleição de Trump e com a consciência de que é necessário aumentar os nossos gastos de defesa.
O estado atual da economia alemã coloca dois grandes riscos para a Europa: a volatilidade nos mercados financeiros europeus e a coesão da União Europeia.
É urgente a diversificação da economia portuguesa para setores de maior produtividade, com realce para a reindustrialização, que teve menos medidas no recente Pacote Económico do que o turismo.
O ministro da Economia disse esta quinta-feira que o programa para relançar a economia teve por base a recolha de dezenas de sugestões da economia real e das empresas. "Fizemos questão de ouvir", afirmou o ministro.
Existe um sentimento de aproximação do fim do ciclo face ao desgaste do Governo, o qual potencia um sentimento de necessidade de uma alternativa política – não tenho dúvidas que moderada e com preocupações sociais.
Estamos perante uma complexa equação que importa resolver rapidamente. É o futuro da Europa, como projecto e como realidade que nos pode garantir a paz, que está em causa.