As novas tarifas sobre o carbono, que entram em vigor a 1 de Janeiro, podem reacender o conflito comercial com os EUA, enfraquecendo a economia europeia, ainda convalescente.
A medida, tomada segundo a Casa Branca por razões de "segurança nacional", visa apoiar fabricantes de camiões americanos como Peterbilt, Kenworth, Freightliner e Mack Trucks.
A existência de tarifas faz desde sempre parte da história da economia e não foi nunca por isso que o multilateralismo ou o mais prosaico bilateralismo deixaram de existir. Eduardo Ferreira de Lemos, partner da EY, desafia os empresários a encontrar as oportunidades que se escondem no meio delas.
Um dia mau para o comércio internacional, mas podia ter sido pior com uma escalada desnecessária nas relações comerciais transatlânticas. Evitou-se uma guerra comercial.
As tarifas de Trump são uma ferramenta anacrónica, reminiscentes de uma era em que a economia global era menos interligada e a concorrência era vista como um jogo de soma zero.
As tarifas não são pagas pelos “inimigos externos”, são impostos indiretos pagos pelos consumidores. A Europa tem de responder com inteligência, coesão e ambição.
A imposição de tarifas alfandegárias é sedutora. Além das receitas que proporciona, aparenta salvaguardar empregos e promover a autossuficiência das nações. No entanto, nem esses objetivos ficam garantidos porque o preço a pagar é elevado.
O caminho passa por deixar o mercado funcionar, porque só este choque competitivo pode levar as grandes marcas da UE a encontrar a forma de competir com a China nesta área tão relevante da economia.
“Nós nos reunimos em um momento crucial de profunda transformação, onde os princípios do multilateralismo e da cooperação estão sendo testados por crises que exigem ação urgente e coletiva”, afirmou Mauro Vieira, chefe da diplomacia brasileira.
Independentemente da imposição de tarifas pelos EUA, o mercado único é fulcral para promover a competitividade europeia e será prioritário para a nova Comissão. Diagnóstico não é o mais positivo ao exibir o atraso do bloco em investigação e inovação, comparando com EUA ou China.
A procura do mercado francês pelos nossos produtos diminuiu 4,6% até outubro deste ano, e muitas empresas têm identificado reduções nas encomendas pelo mercado alemão.
De longe, a componente mais preocupante para a economia mundial em 2025 é a ameaça de uma escalada proteccionista, que poderá prejudicar os grandes blocos.
Subsistem dúvidas sobre a capacidade da Europa para se manter unida, saber conciliar os interesses nacionais e convergir numa estratégia que lhe permita responder aos desafios da contemporaneidade e a uma ordem internacional soberanista.
Espera-se um agravar da competição entre blocos económicos, com consequentes políticas protecionistas, havendo cada vez mais um foco na redução de dependências das cadeias de fornecimento de blocos económicos distintos.
O processo de globalização, durante anos liderado pelos EUA e com maior aproximação entre países e blocos económicos, está a desmoronar-se. Vitória de Trump nas eleições presidenciais faz ressurgir o posicionamento isolacionista e incertezas a nível mundial, sobretudo para a Europa e a China. Tarifas ameaçam economia global e controlo da inflação.
O cenário otimista nos EUA contrasta com o desânimo europeu. Os políticos europeus ainda estão à espera de milagres e ajudas externas, teimam em não reconhecer a mudança nas prioridades da população.