O Chega não tem qualquer mensagem para além de simples propaganda. A intenção não é criar ou construir, nem sequer participar na criação ou construção de soluções viáveis.
Luís Montenegro tem que ter uma postura mais institucional, mais política. E tem de abandonar a sua ruralidade e ser cada vez mais urbano e combativo face a António Costa.
Não estaria Marques Mendes, com o elogio que fez há semanas atrás, no seu habitual programa televisivo, às rentrées políticas do PSD e da Iniciativa Liberal, a sugerir que foi encontrado o bloco alternativo ao PS?
Luís Montenegro, líder do PSD, está a recentrar o partido no centro-direita. Tem feito uma oposição quase diária a António Costa e tem condições para roer as canelas ao primeiro-ministro.
Portugal precisa de um PSD forte, unido e vitorioso para os combates políticos que se aproximam nos próximos anos. Vamos acreditar em Luís Montenegro, Portugal precisa.
O segredo da vitória de Montenegro passou, sobretudo, pelo apelo da apagada alma do velho PPD, entendendo, e bem, que esta nova liderança necessita de um fulgor popular e abrangente que consiga secar o crescimento da IL e do Chega.
A bem da democracia, do sistema político e de todos nós, o que esperamos que aconteça no Coliseu do Porto é um congresso inspirador e mobilizador para todos os que procuram uma alternativa ao atual Governo.
Ainda não sabemos se Luís Montenegro conseguirá cativar os portugueses como futuro primeiro-ministro, mas existem poucas dúvidas sobre a capacidade de mobilizar de imediato todo o PSD para o trabalho de oposição assertivo de que o país precisa.
Passou o tempo em que uma guerra entre os sociais-democratas despertava a atenção e dava audiências. A degradação da marca PSD e o desinteresse generalizado por ela é um dos maiores legados de Rui Rio que, aliás, o ridículo matou.
Portugal é um beco sem saída onde Governo e oposição já não fazem magia: limitam-se a truques que vão entretendo o povo enquanto esperam que o destino resolva os problemas do país.
Que tipo de oposição farão Montenegro ou Moreira da Silva? É uma incógnita. Mas o “zeitgeist” mostra que o espírito do tempo tem dado espaço a radicais e que os posicionamentos moderados têm sido penalizados pelos eleitores.
Ninguém conseguiu a profundidade de pensamento e análise com dados concretos, ninguém soube escolher um 'timing' cirúrgico ou deixar um desafio para estes quatro anos como fez Cavaco Silva.
Teria sido importante falar mais na oposição, nomeadamente na existência de um problema real que é a instabilidade que reina no espectro da direita moderada, que tem que ser resolvido a bem da existência de blocos políticos alternativos credíveis.
Marcelo não se quer deixar apagar mas tem de compreender que a Presidência da República não é um partido e o Presidente não deve ser o líder da oposição, para isso existem as forças políticas partidárias.
A oposição está moribunda e, no caso do maior partido da oposição, o PSD, perde-se em lutas intestinas. Costa começou a pensar no futuro e na luta interna, e acabou por colocar todos os “ases” no Governo.