A economia russa não está parada. Está sobreaquecida, militarizada e obrigada a financiar simultaneamente a guerra, os subsídios energéticos e a estabilidade social.
A política ambiental da Europa tem consequências e, enquanto não nos tornarmos independentes em algo tão básico como a energia, estamos em perigo de sobrevivência no longo prazo.
O desafio de segurança energética que enfrentamos é muito maior do que as crises do petróleo e do gás de 1973, 1979 e 2022 juntas. A guerra mudou de forma. Agora é logística e ameaça a desligar a energia.
O Pacto Ecológico Europeu oferece um caminho para um sistema energético que não é apenas de baixo carbono, mas também estruturalmente mais estável e politicamente mais autónomo. Enfraquecê-lo agora não seria pragmático, seria falta de visão.
O melhor investimento era a Europa comprar 25% da Microsoft, ou da Alphabet, pois sempre garantiria uma palavra a dizer. Seria mais barato do que o preço que iremos pagar pela dependência.
As empresas da UE defendem soluções alternativas e menos caras para recuperar a sua dinâmica competitiva. Olham para a dependência real do GNL dos EUA como um risco acrescido.
Mesmo que a Alemanha venha a ter um governo operacional, teremos dificuldades na UE porque não haverá o tradicional motor europeu Alemanha/França, devido ao impasse político francês.
"Registou-se um aumento face a 2020 e 2021, consequência da retoma pós Covid-19. Um dos principais objetivos da política energética nacional é a redução dessa dependência para 65% em 2030, conforme estabelecido no Plano Nacional Energia Clima 2030", indicou a ADENE.
A transição energética e ecológica precisa de ser repensada e, no caso das renováveis, começa na mina. Caso contrário, não passa de uma grande falácia em termos ambientais.
Sabendo-se que a Europa não consegue ser autossuficiente, para garantir a segurança energética europeia só existe uma solução: diversificar as fontes e fornecedores de energia.
Um dos fatores para a definição de políticas é se esta inflação é mais conjuntural ou mais estrutural. Uma parte dela, pequena, é controlada pelos decisores políticos. Mas o resto é um exercício complicado de adivinhação.
Hoje, os maus alunos são aqueles países do Norte que não souberam reduzir a dependência do gás russo e que hoje querem obrigar o resto da UE a aceitar um corte de gás que terá consequências profundamente negativas para as indústrias europeias.
Legislar por conveniência não traz resultados positivos, principalmente num mundo que não tem recursos para absorver uma mudança radical em tão pouco tempo.