Na exposição a particulares por via do crédito à habitação, a maior vulnerabilidade ao aumento dos preços da energia encontra-se nos escalões de rendimento mais baixo, conclui o Banco de Portugal no Relatório Anual sobre a Exposição do Setor Bancário ao Risco Climático.
Os bancos estão a tentar captar novos clientes, oferecendo vouchers e isenção nas comissões de manutenção para quem abrir conta, mas também a suportarem os custos nas transferências de crédito e a darem spreads zero nos créditos da casa. O sector admite o aumento da concorrência, mas afasta que se estejam a assumir demasiados riscos.
O banco liderado por Miguel Maya está a oferecer um "spread" de 0% até ao final do próximo ano nos créditos à habitação contratados até 30 de setembro de 2023.
Os reembolsos antecipados de empréstimos para habitação própria e permanente recuaram em abril para 0,59% do 'stock' deste tipo de crédito, depois de em março terem atingido 0,77%, indicou hoje o BdP.
Para beneficiar desta medida, os clientes têm de pedir acesso aos juros bonificados do crédito à habitação junto do seu banco, este tem de ser aprovado e não podem ter atrasos no pagamento das prestações à CGD.
Optar pela amortização, pode ser a melhor decisão, diz o Doutor Finanças "se tivermos o dinheiro parado no banco ou num produto com uma rentabilidade inferior".
Os bancos também reduziram o montante total de empréstimo para a compra de habitação às famílias portuguesas durante o primeiro trimestre do ano, passando para 97,9 mil milhões em março.
"Aumentou significativamente a contratação de crédito com taxa fixa", afirma o CEO do BPI na apresentação dos resultados trimestrais, representando mais de 50% dos novos empréstimos, face aos anteriores 30%.
As taxas de juro no crédito à habitação continuam a subir. Portugal é oitavo país da zona euro com a taxa mais elevada nos empréstimos para a compra de casa.
Os clientes de crédito à habitação do Santander vão ter acesso, a partir da próxima segunda-feira, a um spread de 0,5% durante os dois primeiros anos, tanto para novas operações como nas transferências de crédito de outros bancos.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), nos contratos celebrados nos últimos três meses a taxa de juro subiu de 3,409% em fevereiro para 3,507% em março.
Portugal situa-se na avaliação com seis pontos, a segunda mais grave na escala do FMI, e é o oitavo país da lista com um maior risco de crise nos próximos anos.
A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje, ao ser fixada em 3,628%, menos 0,010 pontos e contra o máximo desde novembro de 2008, de 3,978%, verificado em 9 de março.
A projeção que o mercado faz da evolução dos juros mostra que “no mês de fevereiro teremos atingido o pico na Euribor a 12 meses“, afirma Mário Centeno, governador do Banco de Portugal. Contudo, o mesmo ainda não aconteceu nos outros prazos.
No ano passado, o rácio LTV médio ponderado das novas operações de crédito para habitação própria e permanente, como definido na recomendação do Banco de Portugal, foi de cerca de 75%, que se traduz numa redução face a 2021 e ao terceiro trimestre de 2018 (78%).
A taxa de juro média dos novos empréstimos a taxa variável foi de 3,56% em fevereiro, o que compara com 3,37% em janeiro, mostram os dados do Banco de Portugal.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação subiu 34,9 pontos base para 2,532% em fevereiro face a janeiro, alcançando o valor mais elevado desde março de 2012.