O estudo é do site Idealista e revela que famílias com baixos salários estão a contratar menos créditos da casa e que o rendimento médio das famílias com empréstimos concedidos foi de 5.657 euros mensais.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação voltou a subir em setembro, para 4,270%, o valor mais elevado desde março de 2009 e 18,1 pontos base acima da de agosto, divulgou hoje o INE.
Questionado sobre o tema e como terão os cidadãos acesso ao reforço dos apoios, com efeitos a janeiro, o Ministério das Finanças respondeu hoje que "as novas regras de bonificação de juros retroagem a 01 de janeiro de 2023. Isto significa que serão pagos os montantes devidos de acordo com as novas regras, desde essa altura".
O Fundo Monetário Internacional (FMI) classifica as medidas do Governo para aliviar o impacto das taxas de juro no crédito à habitação como “provisórias” e que não solucionam a crise, pedindo que sejam temporárias e dirigidas aos vulneráveis.
Medidas para mitigar os custos do crédito à habitação foram hoje publicadas em Diário da República, quer o alargamento da bonificação de juros (em que o Estado paga parte dos juros do crédito à habitação, em algumas condições) quer a fixação da prestação do crédito à habitação durante dois anos, por um valor inferior ao atual.
Medidas visam amenizar a subida das taxas de juro no crédito à habitação própria e permanente. Governo aprovou as medidas a 21 de setembro e as mesmas foram promulgadas pelo Presidente da República esta segunda-feira.
O valor total pago pelo empréstimo será agravado para os clientes que acedam ao mecanismo que permite fixar a prestação do crédito à habitação durante dois anos, segundo a Deco.
O efeito conjugado de duas das medidas de apoio ao crédito à habitação pode reduzir em 25% o encargo mensal com prestação de um empréstimo de 100 mil euros e maturidade residual de 30 anos, segundo os cálculos do Ministério das Finanças.
Afinal o mecanismo para proporcionar estabilidade na prestação do crédito à habitação, que tem como referência a Euribor a 6 meses, é uma moratória de capital.
Em entrevista ao JE, o economista e professor na Nova SBE, Pedro Brinca, traça um cenário de grandes dificuldades para as famílias e que sobre a bonificação dos juros, "o alívio será sempre uma ajuda, mas longe de ser uma solução", tendo em conta que para muitas famílias as prestações já poderão ter duplicado.
Mortágua insiste que as propostas do Executivo de António Costa não só "não resolvem estruturalmente qualquer problema", como "criam novas dívidas, adiam problemas, comprometem dinheiro público, salvaguardando os lucros da banca".
O Ministro das Finanças revelou que o mecanismo, para proporcionar estabilidade na prestação do crédito à habitação, deverá abranger entre 900 mil famílias e um milhão e que o reforço da bonificação temporária de juros deverá chegar a 200 mil famílias.
A reunião do Conselho de Ministros oficializou a criação das medidas que visam amenizar a subida das taxas de juro. Tal como o JE avançou na edição diária desta quinta-feira, o Governo avança com mecanismo de redução de 30% na taxa de juro. Os pedidos aos bancos começam em novembro e vão até primeiro trimestre de 2024.
Por sua vez, a Euribor a três meses avançou hoje face à sessão anterior, ao ser fixada em 3,955%, mais 0,021 pontos e um novo máximo desde novembro de 2008.
O Governador chama-lhe "alisamento" do efeito das taxas de juros e diz que "para algumas famílias, no contexto de alguns contratos, pode ser eficaz" acrescentando que "muitos já estão a ser operacionalizados pela banca".
"Com o objetivo de facilitar as famílias que procuram um crédito a perceber, desde cedo, se podem ou não ter acesso ao mesmo, a Gestlifes desenvolveu uma calculadora de taxa de esforço, simples de usar e que apresenta respetiva taxa no momento da simulação", apresenta João Pereira, CEO da Gestlifes.
A ministra da Habitação, Marina Gonçalves, explicou que as novas medidas para as famílias com créditos à habitação preveem o alargamento dos apoios existentes e estabilização das taxas de juros nos contratos.
O semanário "Expresso" fez as contas caso o Governo avance com uma solução para as famílias pagarem 75% da atual taxa Euribor, que está acima dos 4%. Seria um alívio de 60 euros mensais para créditos de 100 mil euros e de 180 euros para créditos de 300 mil euros.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses, nos dois prazos mais curtos, pela terceira sessão consecutiva, para novos máximos desde novembro de 2008.