Os países do Sul Global, ao tentarem proteger-se das sanções do Ocidente, estão a provocar mudanças estruturais na arquitectura financeira mundial e a provocar uma queda permanente de importância do dólar e do euro.
Economistas conceituados terão razão quando afirmam que o Ocidente está à beira do abismo. Quanto menos permeável for às mudanças, maior e mais rápida será a sua quebra de hegemonia, sobretudo na Europa, que não está a saber “divorciar-se” dos EUA, em tempo, de forma a construir o seu rumo.
O presidente russo disse no fórum económico internacional que as sanções e o roubo das reservas internacionais da Rússia pelo Ocidente "afetaram irreversivelmente a posição das moedas globais, o dólar e o euro". E disse que os BRICS estão a vencer o G7. Quanto a Volodymyr Zelensky, continua a não ser bem-vindo a Moscovo.
Os BRICS não estão desarticulados por irrelevância. Foram-no por pressões externas e por fragilidades internas. As instituições existem. Mas o projecto político de alternativa sistémica perdeu membros, perdeu credibilidade e perdeu ritmo.
A derrota de Viktor Orbán significa, acima de tudo, um grande abalo nas fileiras do movimento MAGA de Donald Trump que, até ao último momento, lhe concedeu o máximo apoio.
A 17 e 18 de abril, o 11º Congresso Nacional dos Economistas propõe-se refletir sobre a economia internacional e portuguesa e o seu setor empresarial, sobre a política económica interna e o posicionamento nas instituições europeias e globais.
Países como Angola acabam de se sentar com o Novo Banco de Desenvolvimento e piscam o olho aos BRICS, pois podem representar uma alternativa relevante não apenas para novas fontes de crédito, mas também margem de manobra geoeconómica.
Jeffrey Sachs, um dos economistas mais influentes da actualidade, antecipou recentemente que a relevância da hegemonia do dólar norte-americano cairá drasticamente nos próximos 10 anos, apontando 2035 para a sua banalização, ou seja, uma moeda ao nível de muitas outras.
Tudo o que seja unir, dialogar e apontar pistas para a solução dos problemas complexos que atravessam o Mundo de hoje e, certamente, o de amanhã, são sempre de experimentar e com alguma garra, programação e organização, desenvolver.
Uma vez mais por falta de entendimento na esquerda portuguesa não se soube avançar para um candidato presidencial agregador. As saídas apresentam-se mesmo reduzidas. A aposta na segunda divisão nunca leva, no imediato, a campeão nacional.
No que toca à OMC, Trump continuou o “trabalho” de Joe Biden, mantendo a organização paralisada. Isto constitui uma “janela de oportunidades” para os EUA, pois permite à administração não cumprir regras fundamentais e processuais de funcionamento do comércio internacional.
O Brasil, país integrante dos BRICS, tem vindo a trocar o mercado dos EUA por fornecimentos de bens agrícolas à China, que se tornou, assim, o principal parceiro comercial do Brasil, em substituição dos EUA. Um processo que está cada vez mais consolidado.
Entre as várias mensagens que a cimeira deixou ao mundo, destacamos esta. 'Estamos, aqui, empenhados em lançar as bases de uma organização mundial diferente. Queremos um mundo onde a Multipolaridade seja o guião estruturante dessa nova ordem'.
“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, disse o chefe de Estado brasileiro, de acordo com o discurso divulgado hoje pela Presidência brasileira.
A mensagem de Xi Jinping foi muito clara: desenha-se um novo modelo de multilateralismo, o “espírito de Xangai”, num período de tensões geoestratégicas e comerciais. Uma outra globalização, na qual Pequim tenta impôr-se como pivô.
Brasil tenta escapar às pressões dos Estados Unidos, com o presidente norte-americano a fazer tudo para dar força aos BRICS. Veja a análise do embaixador Francisco Seixas da Costa.
Será a primeira vez que China, Rússia e Índia - e os seus respetivos líderes - se encontram ao mais alto nível depois da ‘novela’ das tarifas impostas pela administração Trump e da Cimeira do Alasca, cujos resultados são neste momento desconhecidos.
A Declaração da última cimeira dos BRICS, este ano, destaca a reconfiguração da Ordem Internacional, consubstanciada na exigência de uma Governação Global mais justa e plural.